EDITORIAL » A paz que se procura

Publicação: 12/07/2017 03:00

A mediação e a prevenção de conflitos são invisíveis a curto prazo nas estatísticas da violência urbana - essa que assusta e intimida a população sobretudo das grandes cidades, a exemplo do Recife. Nunca se viu notícias comemorativas de pequenas vitórias em negociações do cotidiano: da conciliação de dois vizinhos que discutem regularmente por um som alto, por uma obra inacabada e inconveniente; pelo local de armazenamento do lixo na calçada. Ou resultados de entendimento entre familiares que estão intrigados por dívidas não pagas ou pensões alimentícias pendentes. Mas a lógica da prevenção, bem-sucedida em outros países, tem ganhado espaço no Recife. É um caminho promissor que deve ser exaltado, ainda que seja pouco conhecido por quem ainda não visitou uma unidade dos Centros Comunitários da Paz (os Compaz), instalados para atender comunidades das periferias.
Dentro da perspectiva de se evitar problemas antes que eles se transformem em crimes, a partir de hoje o Compaz Ariano Suassuna, que fica no bairro do Cordeiro, bairro da Zona Oeste do Recife, passa a contar com uma Câmara de Conciliação, Mediação e Arbitragem do Tribunal de Justiça de Pernambuco. Um núcleo atua desde abril no sentido de solucionar impasses de forma extrajudicial. Psicólogos e assistentes sociais intervêm, orientam e encaminham as partes e agora os acordos firmados podem ganhar status de decisão homologada por um juiz. No Compaz Eduardo Campos, situado no bairro de Alto Santa Terezinha, a parceria entre a Prefeitura e o Tribunal de Justiça está em pleno funcionamento.
Trata-se de uma conquista muito maior que uma simples burocracia, um serviço novo disponível para a população. Os núcleos e câmaras de conciliação representam a inserção da cultura de paz na coletividade. A começar pela formação de líderes comunitários, multiplicadores com influência para transformar aqueles que os cercam e por onde andam. Em janeiro, quando a primeira turma de mediação de conflitos se formou, a oradora Suely Costa disse ter aprendido o valor do “diálogo, da importância de ouvir o próximo e de se colocar no lugar do outro”. Quando se ouve depoimentos assim e quando se soma mais equipamentos para melhorar o que já existe, volta-se a ter esperança de que, não só pelo caminho da repressão, a cidade terá a paz que procura.

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