A recessão da economia brasileira está no fim?

Marcelo Barros
Secretário da Fazenda do Estado de Pernambuco

Publicação: 11/07/2017 03:00

Quando a mais severa recessão da economia brasileira chegará ao fim? Eis a pergunta que milhões de brasileiros se fazem atualmente, na expectativa que dias melhores finalmente voltem a acontecer. Sob esse prisma, indicadores positivos divulgados recentemente dos desempenhos industrial e do comércio, em um quadro persistente de queda da inflação e das taxas de juros, apontam para uma tênue retomada dos ventos do crescimento econômico.
Na verdade, depois de um período de tempestade perfeita, onde encolheu mais de 7%, com uma inflação que teimou em cair mesmo com os juros na estratosfera, a economia brasileira delineia um cenário ainda incerto de recuperação. O nó górdio consiste no fato de que a esperança de voltar a crescer é bem mais forte do que a dinâmica real dos agentes econômicos.
Atualmente, nos falta um motor que faça a economia voltar a girar. O consumo das famílias, carro-chefe que puxou a economia no período 2004 a 2013, cai a nove trimestres consecutivos. O consumidor com medo do desemprego e com receio de fazer novas dívidas resiste em ampliar suas compras. Pari passu ao desânimo do consumidor, as empresas reduzem o nível de investimento adiando novos projetos e calibrando sua produção a uma capacidade ociosa que é a maior dos últimos vinte anos. Em alguns setores, como o automobilístico, a situação é mais crítica. As montadoras estão produzindo menos 0da metade dos cerca de cinco milhões de carros que têm condições de produzir. O corolário desse quadro é que a taxa de investimento do país no primeiro trimestre de 2017 foi de 15,6% do PIB, a mais baixa da série histórica.
A safra agrícola recorde foi a locomotiva que puxou o crescimento de 1% do PIB brasileiro no primeiro trimestre de 2017, quando comparado com o último trimestre de 2016. Esse resultado foi importante, mas não é suficiente para contaminar os demais setores da indústria e serviços. Esse último, que apresentou crescimento zero no período, é responsável por mais de 73% do PIB.
O nível de desemprego continua em um patamar muito elevado. Saímos de uma posição de pleno emprego em 2012 para um taxa de 13,3%, culminando em 14 milhões de desempregados. Os últimos indicadores divulgados apontam que chegamos ao fundo do poço. Para recuperar esses empregos, a escalada dessas paredes será longa e cansativa. Se por um lado, a colossal destruição dos empregos, nos últimos dois anos, é a fase mais cruel da atual crise; por outro, provocou um enxugamento nos custos das empresas que está sendo traduzido em mais eficiência produtiva. As empresas tiveram que se reinventar para sobreviver e hoje, com um contingente menor de mão de obra, irão ponderar com muita parcimônia a necessidade de expansão de seus quadros de funcionários.   
À luz desses resultados, a chave que irá reabrir o portão do crescimento econômico reside na volta da normalidade institucional abalada pela grave crise política em curso. A incerteza agravou-se, não há dúvida. Por consequência, os agentes econômicos voltaram a refluir para um degrau de desconfiança sobre o futuro.
Em que peso o tom rubro deste momento, o retorno do crescimento econômico virá. Essa é a vocação de um Brasil que tem um dos maiores mercados consumidores do mundo, um grande contingente de pessoas aptas a trabalhar e grandes janelas de oportunidades de investimento. Ultrapassado o constrangimento político atual, o motor econômico voltará a girar. A queda na inflação, que foi a mais baixa em um semestre desde o inicio do Plano Real, com uma taxa acumulada de 1,18%, de janeiro a junho de 2017, e a continuidade na disposição do Banco Central em recolocar a nossa taxa de juros em um dígito são importantes combustíveis para pôr em marcha a roda econômica.
Em suma, os indicadores macroeconômicos sugerem que o pior ficou para trás. Mas isso não basta. Depois de tantas notícias negativas, o brasileiro está ávido por virar essa página e deixar a maior recessão da história para trás. Ceteris paribus, vamos chegar lá. Mas a política precisa ajudar a economia.

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