EDITORIAL » Erradicar a pobreza

Publicação: 10/07/2017 03:00

Numa época em que a pobreza avança em escala nunca vista na maior parte do planeta, as lideranças mundiais não devem preocupar-se apenas com os graves problemas do momento, como os debatidos na última reunião de cúpula do G-20 (as 20 maiores economias globais). Não podem ser colocados em segundo plano os esforços da Organização das Nações Unidas (ONU) para envolver os líderes de todos os continentes em ações concretas para reduzir a pobreza, promover a prosperidade e o bem-estar da humanidade, proteger o meio ambiente e enfrentar as mudanças climáticas - os dois últimos pontos abordados no encontro de Hamburgo, na Alemanha.

A mobilização do organismo internacional iniciada em 2000, com a declaração dos Objetivos do Desenvolvimento do Milênio (ODM), já surtiram efeitos sem precedentes, mas muito ainda pode ser feito. Depois de intervenções previstas nos ODM, milhões de pessoas deixaram a linha da pobreza absoluta, houve avanços significativos na saúde e na qualidade de vida com a oferta de novas oportunidades para uma existência mais digna. Mas são necessários maiores esforços para se alcançar as metas da Agenda 2030, acordada por mais de 170 líderes mundiais, no sentido de reduzir as desigualdades sociais e garantir um futuro sustentável para o planeta.

Uma das armas para o cumprimento das metas estabelecidas do protocolo da ONU são as chamadas tecnologias sociais, alternativas simples e funcionais que já colaboram, concretamente, para a superação dos desafios. Na verdade, são produtos, metodologias ou técnicas de fácil acesso que ajudam na solução de problemas em diversos setores, como saúde, educação, energia, alimentação, habitação, renda, recursos hídricos e meio ambiente, entre outros. Por serem simples e inovadoras, muitas vezes não são consideradas verdadeira tecnologia, mas dão sua indispensável colaboração para se atingir o proposto pelos ODM.

No Brasil, um claro exemplo da importância e do alcance da tecnologia social é o projeto de construção de cisternas para captação e armazenamento de água da chuva para consumo e produção de alimentos, o que mudou a vida de milhões de brasileiros. O Programa Cisternas já construiu 1,2 milhões de reservatórios, acumulando 20 bilhões de litros de água e transformando hábitos e costumes no sertão, além de ser ferramenta de adaptação às mudanças climáticas. Outra iniciativa que merece todo o apoio é a instalação de sistemas de conversão fotovoltaicas para a geração de energia em regiões onde a pobreza se faz presente. Energia solar é econômica e sua fonte inesgotável.

Investir no uso da tecnologia social para a construção de políticas públicas de inclusão tem de ser priorizado, pois já vem provocando forte impacto na vida dos brasileiros menos favorecidos. O importante é o envolvimento de todos - governos, empresas, academia, terceiro setor e sociedade em geral - para que iniciativas simples mas funcionais colaborem na luta pela erradicação da pobreza em todo planeta.

Os comentários abaixo não representam a opinião do jornal Diario de Pernambuco; a responsabilidade é do autor da mensagem.