EDITORIAL » Desemprego em queda

Publicação: 07/07/2017 03:00

O desemprego voltou a cair. No trimestre encerrado em maio, a taxa ficou em 13,3% ou 13,8 milhões de desempregados, o que significa estabilidade ante os 14 milhões, no intervalo entre fevereiro e abril. A queda é modesta, mas indica desaceleração da desocupação, segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad), divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), A previsão é que, a partir de agosto, haja melhora lenta na oferta de oportunidades pelo mercado formal, que há dois anos vem encolhendo ante a expansão da informalidade. De acordo com o coordenador de Trabalho e Rendimento do IBGE, Cimar Azeredo, a desaceleração da desocupação mostra que as pessoas estão migrando para atividades informais. Ou seja, o brasileiro não cruzou os braços diante do comportamento cauteloso das empresas frente as crises política e econômica.

O declínio contínuo da inflação, que eleva o poder de compra das famílias, da taxa de juros, que torna o crédito mais barato, e, ainda, a liberação das contas inativas do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) também são vistos como fatores para o recuo do desemprego. Com mais dinheiro no bolso, o trabalhador não só pôde quitar velhos créditos, como consumir. Trata-se de algo positivo para o comércio e a indústria.

Embora o resultado da Pnad Contínua seja um alento, o governo federal e o Congresso podem dar contribuição maior para a reconquista da credibilidade dos investidores nacionais e estrangeiros. Os parlamentares precisam, com a celeridade que o momento exige, aprovar as reformas trabalhista e da Previdência, ou seja, demonstrar que o país não está parado devido à crise política.

O Executivo tem a obrigação de blindar a política econômica das investigações sobre corrupção e dos embates ideológicos travados no Legislativo. Mais: deve dar indicações claras do seu comprometimento com a recuperação país, a começar com a redução dos gastos públicos, antes de insistir na intenção de elevar tributos.

Aumento de impostos implica punir a classe trabalhadora e mostrar aos empresários que faltou capacidade do governo de conter as contas públicas nos limites anunciados. Credibilidade é fundamental para atrair investidores nacionais e estrangeiros a fim de elevar a oferta de oportunidades de trabalho. Com isso, será mais fácil conduzir o país à via do crescimento econômico.

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