Uma nova concepção para as margens do Capibaribe nas Graças

Bruno Schwambach
Secretário de Desenvolvimento Sustentável e Meio Ambiente do Recife

Publicação: 06/07/2017 03:00

No dia 15 de março de 2014, a manchete de capa do Diario de Pernambuco anunciava em letras maiúsculas: “A nova beira rio vai sair do papel”. No topo da página, uma ilustração mostrava o que, na época, era a concepção da obra: uma “autoestrada” de quatro faixas para carros, ainda refletindo uma visão ultrapassada que teve seu auge no século 20. Além disso, o projeto estava em franca contradição com princípios norteadores do Parque Capibaribe - Caminho das Capivaras, iniciativa da atual gestão municipal que já era realidade àquela altura, com o convênio com a UFPE assinado seis meses antes, cujo objetivo é transformar as margens do rio em um grande corredor para pedestres e ciclistas, com parques, praças e equipamentos públicos.

Aquela “via expressa”, projetada em gestão anterior, não fazia sentido. Sabendo disso, o prefeito Geraldo Julio recolocou o projeto em discussão e, após amplo debate com a população, mudou completamente seu conceito. Em vez das quatro vias de asfalto, as margens do Capibaribe, entre as Pontes da Torre e da Capunga, agora ganharão características de via local e serão urbanizadas com passeios, ciclovia, áreas de convivência e espaços de aproximação com o rio, além de um refúgio para capivaras. Também haverá passarelas sob as pontes, mirante e dois píeres para pequenas embarcações.

A nova concepção do projeto vem de encontro também ao Plano de Baixo Carbono do Recife, que estimula o uso de bicicletas e o caminhar como forma de deslocamento, reduzindo as emissões de gases de efeito estufa. Além de todos os avanços urbanísticos, a mudança gerou uma significativa economia de recursos públicos, já que o orçamento caiu de R$ 57 milhões para cerca de R$ 27 milhões. Os trâmites burocráticos foram superados e a obra teve início neste mês de junho, com prazo de 18 meses para sua conclusão e financiamento assegurado pelo Ministério das Cidades, por meio da Caixa Econômica Federal.

Foi um processo emblemático, que comprovou, mais uma vez, a disposição da atual gestão municipal para quebrar paradigmas e evitar a inércia que com frequência guia as ações do poder público. Ouvindo a população, a Prefeitura do Recife transformou um projeto conservador, típico do século passado, numa proposta moderna, que mira o futuro, voltada não para os carros, mas para o bem-estar e a qualidade de vida das pessoas. Seguindo essa mesma linha, o projeto Parque Capibaribe já entregou o Jardim do Baobá, exemplo de sucesso, utilizado por centenas de famílias que começam a estabelecer uma nova relação com a cidade e com nosso principal rio. É um processo que está em pleno andamento, com foco nas próximas gerações e que, ao ser validado pela população, será irreversível.

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