EDITORIAL » Momento de alianças

Publicação: 03/07/2017 03:00

No momento em que qualquer iniciativa visando ao reaquecimento da economia tem de ser tratada como prioridade absoluta, o governo age acertadamente ao continuar apostando na revitalização do Mercosul e na aproximação do bloco com os países que integram a Aliança do Pacífico (Chile, Peru, Colômbia e México). A valorização da integração regional deve ser incentivada pela equipe econômica para que as barreiras comerciais sejam transpostas, o que trará dividendos a todos.

A retomada das relações entre as nações dos dois blocos é possível quando se deixam de lado questões ideológicas que guiaram governos passados, para focar nas trocas comerciais. Brasil e Argentina, as duas maiores economias da América do Sul, quando comandados pelo petismo e kirchnerismo, abriram mão de uma política de aproximação com outros países do continente por falta de alinhamento político-ideológico, o que impediu a implantação de práticas comerciais mais abertas e dinâmicas.

No âmbito do Mercosul, a integração iniciada nos anos 1990 se congelou depois de relevantes realizações porque barreiras comerciais entre Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai não foram removidas e o bloco não se associou a mercados importantes, como a União Europeia. Para o bem da economia do bloco, o fechamento protagonizado pelos governantes do passado vem sendo revisto, e as conversas em torno de critérios para o comércio avançam entre os quatro signatários do organismo (a Venezuela está suspensa devido à crise política naquele país). E já começam a surtir efeito as tratativas para facilitar as trocas comerciais na região.

O Mercosul realmente não pode continuar de costas viradas para o resto do mundo, principalmente para importantes países latino-americanas, como os da Aliança do Pacífico. A aposta no continente americano é acertada, em que pese as dificuldades para a negociação entre os dois blocos, já que as economias do Mercosul são mais fechadas. O que importa é que existe a disposição de negociar, o que mostra notável mudança nas políticas econômicas dos principais agentes do comércio externo na região.

Chegou-se à insensatez de rejeitar parcerias nas trocas comerciais sob o ultrapassado argumento de que, se a condição para o fechamento de acordos fosse uma abertura maior do mercado brasileiro, nada poderia ser feito. Utilizando discurso retrógrado, os governantes petistas argumentavam equivocadamente que não seria admitida a entrega do mercado brasileiro a produtos fabricados fora. Visão míope que está sendo exorcizada pelos atuais gestores da economia.

Só os ingênuos acreditam não haver concessões nas negociações internacionais. O que importa é a possibilidade de crescimento econômico proporcionado pelas trocas comerciais entre as nações. O equivocado protecionismo brasileiro tem as raízes em questões ideológicas e na política de favorecimento de grupos econômicos escolhidos pela antiga cúpula do poder — combinação que em nada ajudou o Brasil. Agora, descortina-se a oportunidade para a implantação de vigorosa política de parcerias com blocos da importância da Aliança do Pacífico, União Europeia e tantos outros espalhados pelo mundo, que só trará benefícios para o país.

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