Uma semana para esquecer

Alexandre Rands Barros
Economista, PhD pela Universidade de Illinois, presidente da Datamétrica e do Diario de Pernambuco

Publicação: 01/07/2017 03:00

Essa foi uma semana em que dominaram as más notícias. Houve quedas em índices de confiança na indústria, nos serviços e na construção civil, além do aumento do indicador das incertezas, todas estatísticas calculadas para junho. Adicionalmente, o governo federal reconheceu mais frustrações nas receitas em maio e as dificuldades que terá para atingir a meta de déficit fiscal para esse e o próximo anos. Por isso, começou a ventilar a possibilidade de promover elevações tributárias, no PIS, Cofins e/ou Cide. Também começou a revisar para baixo as previsões de crescimento do PIB para 2017 e 2018. As poucas boas notícias vieram do setor externo, que teve superávit em conta corrente em maio último, e do mercado de trabalho, que segundo a PNAD contínua teve ligeira queda na taxa de desemprego no trimestre terminado em maio, em relação ao trimestre concluído em abril, e elevações ligeiras do rendimento médio real de todos os trabalhos e da massa real de rendimentos. Mas no global, pode se dizer que houve um reconhecimento de que estamos mais pobres.

As convulsões políticas estão se mostrando com mais impacto do que se acreditou em um primeiro momento. Há cada vez menos analistas tentando convencer que a economia está imune à crise política, apesar de alguns indicadores que tendem a isolar a economia das vicissitudes políticas continuarem firmes, como o nível de reservas internacionais e a liquidez do governo. Os desgastes das últimas semanas começam a se refletir mais claramente nas estatísticas econômicas, estando o encolhimento do crédito entre elas, o que atrasa o alívio para as empresas de uma aterrisagem que teria ocorrido na economia brasileira nos últimos meses. O pessimismo também foi acentuado com o reconhecimento amplo de que a reforma da previdência não deve mais ser aprovada antes das eleições de 2018, a não ser que em forma muito branda, que demandará outra reforma em seguida. Nenhuma nova proposta se põe no lugar para reduzir o crescimento do déficit. A consequência é instigar o ceticismo dos agentes econômicos quanto às perspectivas econômicas futuras do país.

Para completar, o procurador-geral da República resolveu questionar no STF a constitucionalidade da lei de regulamentação da terceirização, pondo em cheque um dos poucos avanços proporcionados pelo Governo Temer, e o governo federal precisou ceder vários pontos da reforma trabalhista para fazê-la avançar no senado federal. Correções deverão vir em uma medida provisória logo após sua aprovação no plenário do senado. Ou seja, os poucos progressos que tinham sido introduzidos na economia sob o Governo Temer e que contribuiriam para fomentar a retomada do crescimento começam a ser revertidos paulatinamente. O país esta caindo novamente em uma situação de grandes fissuras sociais em que não se consegue acordo em uma pauta mínima que venha a promover a retomada do crescimento. Nesse cenário o governo federal sinaliza com um novo PAC e maior facilidade para créditos no BNDES, tentando contribuir para o aquecimento da economia.

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