EDITORIAL » Muito além do Baleia Azul

Publicação: 17/05/2017 03:00

O perigo é real. Se há adolescentes ou jovens em casa, o risco de um eventual envolvimento com o jogo Baleia Azul é factível e o cuidado precisa ser reforçado. Engano é pensar que o mal sempre cercará uma família alheia. O alvo está em uma idade caracterizada pela contestação, curiosidade, por dúvidas e inseguranças. Os criminosos do desafio alimentado por meio da internet sabem disso e se aproveitam da fragilidade daqueles que não conhecem e do fácil acesso dessas pessoas a telefones celulares e comunicadores. Têm sido frequentes casos no Brasil. Em Pernambuco, na última segunda-feira mais uma provável vítima foi salva da morte.

Era uma jovem de apenas 15 anos. Por sorte, acabou impedida de pular da Ponte Buarque de Macedo, no Bairro do Recife. Um desconhecido interviu. Os indícios de que foi submetida ao jogo estão nos braços feridos dela. A Polícia fará a investigação para tentar achar o chamado curador do jogo ou o responsável pelo crime. Esta é a nona vítima do Baleia Azul no estado. O último registro ocorreu na semana passada e as mutilações do corpo envolviam uma jovem de 19 anos. Ela teria sido orientada a se jogar do telhado de uma casa.

Enquanto se lamenta a deterioração do caráter do ser humano, que sabe-se lá por qual motivo estimula tal comportamento em jovens, vale ressaltar as recomendações feitas pelas autoridades no sentido de cobrarem atenção de pais, familiares de todos os níveis e do ambiente escolar para mudanças de comportamento e para o conteúdo que é exposto a esses jovens. Porque, vale ressaltar, o desafio Baleia Azul surge como uma mola para novos suicídios na faixa de crianças e adolescentes.

Pesquisas indicam que as taxas de jovens que tiram a própria vida estão crescendo. Um estudo intitulado Violência letal contra crianças e adolescentes no Brasil, que teve apoio da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República, destaca um dado tão triste quanto estarrecedor: nos últimos 25 anos, houve um crescimento de 30% no número de casos.

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