Autismo: um olhar sobre a diferença

Carolina Ferraz
Professora do curso de Direito da Unicap e coordenadora do Grupo Frida de Gênero e Diversidade

Publicação: 16/05/2017 03:00

Falar sobre o autismo é falar sobre a incompreensão, a incompreensão de um mundo que não é receptivo à diferença. De um mundo que não é acolhedor com a deficiência, porque trata aqueles que têm deficiência com desrespeito, com violações aos seus direitos e com a negação de suas existências.  

Eu falo sobre o autismo na condição de mãe, assim de perto, de quem ama em demasia alguém que tem autismo: meu filho! E que vivencia, por causa da existência dele, diariamente o preconceito e a discriminação, quando as pessoas que deveriam acolher meu pequeno simplesmente julgam e subestimam suas habilidades e potencialidades.  

Entre a acomodação ou a negação, eu escolhi a luta, e fazer desses obstáculos um salto propulsor para auxiliar na construção de uma sociedade mais plural. A começar pela quebra de estigmas!  

O que é autismo? Eu poderia repetir uma série de definições que dizem, que é um transtorno de desenvolvimento e aprendizagem, poderia informar ainda, que a cada 45 nascimentos uma pessoa nascerá com autismo, mas irei afirmar que o autismo é uma forma diferente de ver o mundo, um mundo cheio de pessoas diferentes, um mundo que não tema a diferença e uma diferença que seja de forma igualitária acolhida por quem não é tão diferente assim, não apenas pelo fato de que a diferença tem o direito de ser acolhida, mas porque conviver com a diferença faz de cada um de nós pessoas melhores, mais humanas, mais sensíveis, mais solidárias!

Então de certa forma a diferença, e o autismo como diferença, é indispensável a construção de um mundo solidário e composto por todos as manifestações humanas, por pessoas e suas subjetividades, por pessoas e suas capacidades de sentir, porque a deficiência é só um detalhe da condição humana, nem é o mais importante!

Eu defino meu filho de muitas maneiras - o autismo é apenas mais uma! - a principal é que ser sua mãe me fez entender que a diferença é indispensável e faz a vida valer muito mais a pena!

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