EDITORIAL » O controle do espaço

Publicação: 16/05/2017 03:00

O Brasil venceu mais uma etapa de seu estratégico porém combalido programa aeroespacial, com o lançamento do Satélite Geoestacionário de Defesa e Comunicações Estratégicas (SGDC), o que o coloca no restrito clube dos países com autonomia nas comunicações e na defesa de fronteiras. Trata-se de passo fundamental para a preservação da soberania nacional, pois as atividades do satélite serão, pela primeira vez, totalmente operadas e controladas pelo governo federal.

Com a colocação em órbita do SGDC, fica afastada a possibilidade de outras nações se imiscuírem nos assuntos internos brasileiros, como ocorreu quando a agência de espionagem dos Estados Unidos (a CIA) interceptou, em 2013, mensagens eletrônicas de várias autoridades governamentais, inclusive da então presidente Dilma Rousseff.

Fruto de parceria entre os ministérios da Defesa e da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações, o satélite, que ficará estacionado a 36 mil km de altitude, permitirá comunicações seguras das Forças Armadas e a implantação do Plano Nacional de Banda Larga. Com isso, o governo pretende levar internet veloz a locais remotos do país, nos quais a infraestrutura de telecomunicações de solo é deficitária.

Ao festejar a nova conquista, a comunidade científica brasileira chama a atenção para os ganhos que o programa aeroespacial proporcionam à população. A professora de engenharia aeroespacial Maria Cecília Pereira, da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), diz que, numa visão simplista, os altos gastos com o desenvolvimento tecnológico do setor às vezes são contestados, mas ressalta que têm impacto direto na qualidade de vida dos cidadãos. Os pesquisadores lembram os ganhos na democratização da educação, com a internet de banda larga chegando às mais distantes localidades do país.

A agricultura também se beneficiará com o lançamento do satélite por meio da utilização de tecnologia de precisão, o que, certamente, impactará a produção, gerando renda e empregos. Não menos importante será o ganho com a transferência de tecnologia na construção do artefato de última geração, tecnologia não dominada pelo Brasil.

O país ainda sente o impacto da tragédia que matou 21 profissionais civis no Centro de Lançamento de Alcântara, no Maranhão, em 2003, quando o foguete Veículo Lançados de Satélites (VLS) explodiu e adiou os projetos do programa espacial brasileiro. Mesmo assim, o Brasil tem avançado na implantação de seu parque aeroespacial, com importantes parcerias entre governo, academia e iniciativa privada. Ainda falta muito para o controle total da tecnologia primordial para o desenvolvimento nacional. As autoridades devem continuar apoiando os projetos priorizados pela comunidade científica.

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