O livro dele e o prazer nosso de cada dia

Adriana Cavalcante
Jornalista

Publicação: 12/05/2017 03:00

Nos últimos meses tive a honra e o prazer de participar de um trabalho que considero o maior presente da minha vida. Aquele que a gente nunca irá esquecer e carregará para sempre na alma a referência e o legado. Trata-se da autobiografia de meu pai Edgar Lopes Cavalcante: Minha vida, minha história. Uma produção independente, porém impressa pela Editora Livro Rápido, que será lançada amanhã, às 10h30, na Livraria Imperatriz, no Shopping Recife.

Por Deus, não tinha ideia do imenso trabalho que um livro exige até chegar às mãos do leitor, até ocupar um espaço na vitrine de alguma livraria. Ao mesmo tempo em que o prazer de realizá-lo não tem preço. Embora possa ser suspeita pelo parentesco de ser filha do autor. Mas assim mesmo pretendo, aqui, homenageá-lo. Porém, dizer também sobre a nobre e bela experiência profissional que talvez poucos conheçam ou possam imaginar no decorrer de um processo como esse.

Confesso não me preocupar com a modéstia ao ressaltar a colaboração dos competentes profissionais amigos Gustavo Franco (Designer) e Sirlene Machado (Revisão). Fomos uma equipe que, com certeza, mais acertou do que errou num tempo curto para juntos colocarmos a “casa em ordem”, uma média de três meses. Claro que o processo de edição levou um tempo maior, afinal ordenar os capítulos, criar um roteiro, definir as imagens, a partir de um texto que não é seu, exige todo um cuidado especial para respeitar a linguagem, a personalidade, e os objetivos do autor. Até chegarmos ao momento do projeto gráfico, revisão, e da corrida pelo melhor orçamento unindo custo benefício para a impressão e catalogação.

Tudo isso para garantir o resultado de oferecer ao leitor um livro escrito por amor. E por amor produzido com a divisão de tarefas entre parceiros que durante todo o tempo se empenharam para dar o melhor de si. Especialmente pelo conteúdo que trata de uma vida simples, recheada de altos e baixos, porém vivida com intensidade, persistência e, sobretudo vitoriosa em todos os aspectos. Uma leitura para adolescentes, jovens e mães, afinal domingo é o dia delas e seria uma hipocrisia da minha parte não recomendar Minha vida, minha história como um sensível e prazeroso presente para a vida toda.

Além disso, afirmar como é bonito um cidadão aos 82 anos escrever seu primeiro livro, contar em detalhes lembranças de sua infância, adolescência e juventude.

Revelar sua paixão, seu amor, à companheira de 54 anos de vida em comum, Albanice Lima Cavalcante, mãe de seus quatro filhos. Fazer isso, sem pieguice ou coisa que o valha, tão comum nos apelos meramente comerciais.

Para jovens “perdidos”, sem esperança de futuro, não será nada mal ter por perto a luta e a sabedoria de viver o aqui e agora de alguém que não se rendeu aos maiores desafios, tampouco a críticas alheias, e construiu e realizou os seus sonhos com o pé no chão, bem na linha do que o seu sogro, meu avô Zeca dizia: “O avião foi feito na terra para depois voar”.

Quanto à experiência em si, a que me referi no início, só posso recomendar a todos. O autor escreve, a história é dele, mas você também mergulha num mar azul, onde o vento que empurra a correnteza é maior que a dureza das horas sem dormir, da ansiedade em corresponder às expectativas do escritor, primeiramente e antes de tudo, e do compromisso em fazer tudo perfeito.

Minha vida, minha história para mim é claro que não é apenas um livro, não foi um trabalho comum sob todos os aspectos e jamais o dissociarei de tudo que sou, vivo e vivi. Esse artigo é a prova cabal de tudo isso. E gratidão é o resumo de minha alma.

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