EDITORIAL » Educar para eliminar as desigualdades

Publicação: 12/05/2017 03:00

O Brasil avançou na redução das desigualdades entre 2000 e 2010, mas ainda tem longo caminho a percorrer para eliminar a falta de equidade socioeconômica. O Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDHM) dos negros tem uma década de atraso em relação ao dos brancos, mostra o estudo do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud), órgão da ONU, em parceria com a Fundação João Pinheiro e o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), divulgado nesta semana.

Em 2000, o IDH dos brancos era de 0,675 ponto. A marca só foi alcançada pelos negros (0,679) em 2010. Em 10 anos, os afrodescendentes avançaram em ritmo mais acelerado, com crescimento médio de 2,5% ao ano, totalizando 28% no período. Em contrapartida, os brancos, que registraram alta de 1,4% ou 15% no mesmo intervalo de tempo. Embora as condições do país tenham melhorado, de forma geral, a diferença de renda domiciliar per capita entre os dois grupos se mantém favorável aos bancos — R$ 1.097 contra R$ 507,90, dos negros.

As mulheres, independentemente da raça, seguem em desvantagem, com salário, em média, 28% menor do que o dos homens, embora a maioria delas tenha grau de escolaridade mais elevado. Nesse recorte raça/cor, 62% da população branca com mais de 18 anos concluíram o ensino fundamental, contra 47% dos negros. A diferença ainda é maior quando o estudo compara a situação das populações urbana e rural. Nas cidades, a renda domiciliar é quase três vezes maior do que no campo. Sessenta por cento da população urbana adulta completaram o ensino fundamental ante 26,5% do meio rural.

Embora as políticas públicas inclusivas desenvolvidas pelo Brasil a partir do fim da década de 1990 tenham propiciado melhora nas condições de vida dos brasileiros, elas estão muito aquém do necessário para romper o ciclo de desigualdades sociais, econômicas, étnicas e de gênero. Estão longe também de alcançar, na medida necessária, as populações do campo, que respondem pela produção da maior parte dos alimentos consumidos no país.

O estudo do Pnud reafirma a necessidade de investimento crescente em educação de qualidade e, ao mesmo tempo, em políticas que promovam o desenvolvimento econômico, com mais igualdade na distribuição da riqueza. A disparidade entre campo e cidade é prejudicial aos dois lados. Força o êxodo rural, leva à saturação dos equipamentos urbanos provoca a má prestação de serviços a todos. Interiorizar educação e saúde é condição essencial ao equilíbrio necessário entre as urbes e o meio rural.

As opções para adequar o Brasil às exigências do século 21 passam pela educação. Sem ela, dificilmente o país conseguirá eliminar os bolsões de pobreza extrema nem romper com o racismo e o sexismo, que reforçam os perversos traços da intolerância, que permeiam e tornam medíocres as relações humanas e as do poder público com a sociedade.

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