Aboio e improviso, origens encantadas

João Monteiro Neto
Pesquisador

Publicação: 11/05/2017 03:00

Há muito tempo que me indagava acerca das origens de várias das manifestações culturais do Sertão nordestino, sem respostas. A cultura popular continua viva mas era silente quanto a muitas de suas origens. O caboclo orgulhoso não sabia responder-me a questão e a literatura era escassa e incompleta. Faltava o principal, o DNA e os registros de nascimento de muitas delas. Após ler Os Sertões de Euclides da Cunha, ainda mais aguçada ficou a vontade de saber e me pus na estrada por longos e saborosos 40 anos de pesquisas pela África, Europa, Ásia e semiárido brasileiro. O livro está finalizado depois de muito caminhar pelo Ocidente e Oriente, numa ida e vinda prazerosa, em parceria com o uniforme impulso de um pêndulo de relógio à busca do conhecimento.

A contribuição hindu à formação do canto do aboio, repente, improviso, poesia e cantoria, foi grandiosa e repassada oralmente às gerações, encontrando-se documentada há 5244 anos. O permanente contato do judaísmo, cristianismo e islamismo com o hinduísmo é do conhecimento da ciência. São culturas fortes que aglutinadas ou isoladas, em momentos específicos da história, expandiram-se pelo mundo através da Ásia Menor, atravessando a Turquia. Bizâncio (depois denominada Constantinopla e Istambul), era a capital do Império Romano do Oriente e interligava a Ásia e a Europa, passagem obrigatória para todas essas informações culturais, devido ao permanente intercâmbio comercial entre Oriente e Ocidente. A região era centro de excelência, produtora de conhecimentos diversos. Cultura, pensamento, usos e costumes como instrução e religião, transitavam por essa metrópole multicultural com efervescência.

Há milhares de anos pastoreava-se na Índia ao som de flautas do Deus Krisnha. A bagagem do conhecimento hindu é suporte e destaque no início da formação de várias de nossas vivências, usos e costumes. A arte do improviso, da poesia e cantoria, como da memorização de versos já era praticada nas escolas, templos, mosteiros e residências hindus em tempos imemoriais e transmitidas oralmente às crianças. O elemento português foi quem transportou esse valioso patrimônio cultural para o Brasil.

Dia 12/05/2017, sexta-feira, das 14 às 20 horas, na Livraria Jaqueira, podemos conferir essa obra, na tarde de autógrafos a se realizar. Uma importante lacuna de nossas tradições que agora se supre, antes então vazia.

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