Aspectos sobre a 'quebra' de empresas

Cláudio Sá Leitão e Luis Henrique Cunha
Sócios da Sá Leitão Auditores e Consultores

Publicação: 09/05/2017 03:00

No decorrer de nossa vida profissional, foram poucas as vezes em que nos deparamos com casos de empresas que tiveram sua continuidade comprometida ou foram levadas à falência, motivadas unicamente por fatores alheios ao controle de seus gestores. Eventos relacionados a fatores climáticos e naturais, como estiagem (seca) prolongada, por vários ciclos da plantação, enchentes de grandes proporções, rompimentos de barragem, etc., bem como fatores relacionados à política externa (golpes de estado, guerras, etc.) com possibilidade de fechamento dos mercados para exportação e/ou importação de matéria prima. Com exceção desses eventos específicos, são os problemas internos que normalmente provocam a quebra de empresas. Má gestão de executivos, conflitos entre acionistas, conselho de administração que não desempenha seu papel e até mesmo a inexperiência ou ética duvidosa dos contadores e auditores, se apresentam como grandes causadores da quebradeira. Recentemente, fomos surpreendidos com a notícia de que o outrora poderoso Grupo X, do famoso empresário Eike Batista, estaria à beira da falência. Num passado não muito distante, ocorreram dezenas de casos, como os Grupos Enron, Varig e Matarazzo, a Arthur Andersen, os Bancos Santos e Pan Americano, entre muitos outros conglomerados empresariais que praticaram uma série de erros distintos, colecionando deficiências de práticas e de controles, quase sempre de mesma natureza. Ações tomadas sem visão do futuro e nem planejamento estratégico, empreendedorismo sem técnica, intuição não seguida de avaliação e análise, ideias sem execução eficiente e eficaz, decisões tomadas por pessoas sem poderes ou despreparadas, empresas familiares sem plano da sucessão e de gestão, direcionamento do foco com base no passado e sem considerar o movimento da inovação, falta de atenção às tendências e às demandas do mercado consumidor, desconsideração das questões técnicas e financeiras e, por fim, muitas falhas no desempenho das pessoas integrantes do conselho de administração, do corpo societário ou técnico e demais gestores de órgãos de controle. Portanto, podemos chegar à conclusão de que as empresas por si só não quebram, mas são levadas ao fracasso ou à bancarrota, seja por imperícia, incompetência e negligência, ou seja por má condução daqueles sócios e executivos que as estão administrando.

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