EDITORIAL » Trânsito, vidas em jogo

Publicação: 08/05/2017 03:00

A maioria dos brasileiros critica e exige punição severa aos políticos e aos agentes públicos envolvidos em corrupção. Confronta o Judiciário ante a morosidade nos julgamentos e na punição dos que cometem os mais diferentes crimes. Exige segurança pública, saúde e educação de qualidade. Está correto. Entre as obrigações do Estado está a boa prestação desses serviços. Mas o mesmo cidadão que reivindica não é capaz de se policiar, aceitar e cumprir as leis.

A incoerência se revela quando ele bebe e assume a direção de um veículo, não para na faixa de pedestre, trafega acima da velocidade máxima da via, estaciona em vagas reservadas a deficientes e idosos, desrespeita a sinalização, participa de rachas, entre outras infrações previstas na legislação de trânsito. Age como aqueles para os quais aponta o dedo em riste e acusa de bandido ou corrupto. Faltam-lhe educação, responsabilidade e respeito com as pessoas, sejam elas pedestres, sejam condutores.

Motoristas embriagados têm sido responsáveis por elevado número de tragédias nas vias urbanas e nas rodovias das principais capitais. O Distrito Federal é campeão em flagrantes de condutores alcoolizados ao volante. Só neste ano, foram 644 autuações em blitzes na capital federal, seguida de São Paulo (267), Ceará (253), Mato Grosso do Sul (230) e Minas Gerais (186). Periodicamente, a legislação é revista e o valor das multas fica mais alto.

No trânsito, não passa de suposição a ideia de que o bolso é a parte mais sensível do cidadão. Editada em 2008, a lei seca completará uma década no ano que vem. Tempo mais do que suficiente para que os motoristas tenham consciência de que beber e dirigir é atitude nefasta. Se as campanhas de educação no trânsito são eventuais e não traduzem a gravidade dessa atitude irresponsável, então, cabe à Justiça aplicar, com o rigor necessário, a legislação a fim de coibir a violência nas estradas.

Descabida a alegação de que quem dirige embriagado e provoca acidentes letais não tinha intenção de matar. Ainda que não tenha premeditado a morte de outra pessoa, ele foi o autor do crime previsto na legislação penal. A leniência tem sido parceira da impunidade. Esse estímulo não pode continuar, caso contrário a desejada paz no trânsito não passará de utopia. Os prejuízos vão muito além dos danos materiais e dos prejuízos aos cofres públicos. Vidas estão em jogo e não podem ser desprezadas. Para mudar uma sociedade e torná-la mais civilizada, é preciso que cada um mude o próprio comportamento.

Os comentários abaixo não representam a opinião do jornal Diario de Pernambuco; a responsabilidade é do autor da mensagem.