Retomada?

Alexandre Rands Barros
Economista, PhD pela Universidade de Illinois, presidente da Datamétrica e do Diario de Pernambuco

Publicação: 06/05/2017 03:00

Apesar de estatísticas positivas que geraram otimismos sobre as perspectivas da economia brasileira, como o superávit recorde da balança comercial, a semana trouxe também revelações desanimadoras, como a queda na produção industrial de março em relação a fevereiro. Esses indicadores contraditórios deixaram os observadores um pouco atônitos quanto à efetiva retomada da economia. Os dados, quando olhados conjuntamente, mostram que a economia já está em recuperação, mas lenta. Apesar disso, o momento ainda é de muita dificuldade para as empresas. Ao longo dos anos de 2015 e 2016 elas queimaram o que tinham de reservas e no momento, como as vendas ainda estão mornas, encontram-se em grandes dificuldades. Apesar de não mais verem seus mercados encolherem, as empresas ainda se encontram em dificuldades geradas pelas perdas do passado recente e ainda tímida recuperação, além da maior dificuldade de acesso a crédito por causa do enxugamento da liquidez provocada pelos bancos. Isso tem gerado algumas das sinalizações adversas nos indicadores econômicos que temos visto.

A situação atual das empresas em momento em que a Economia precisa de uma reação mais eficaz mostra a importância da expansão do Refis que está tramitando na Câmara Federal, após sua ampliação da versão tímida apresentada inicialmente pelo Governo Federal. Reduziram-se as multas e juros, ampliaram-se os prazos dos pagamentos e incluíram-se débitos até março de 2017 nos refinanciamentos das dívidas empresariais. Essas medidas deverão dar um fôlego importante às empresas que se encontram em grandes dificuldades financeiras. Tal ganho de capacidade de continuar a operar pode ser fundamental para acelerar a retomada da Economia. Ou seja, diferentemente do que os burocratas da Receita Federal pensam, tais expansões podem significar o alívio do sofrimento de vários brasileiros que no momento encontram-se desempregados ou excessivamente endividados. Somente a partir das ações dessas empresas aliviadas essas pessoas poderão voltar a ter dignidade e vislumbrar um futuro melhor. Infelizmente os burocratas da Receita Federal e do Ministério da Fazenda nesse momento põem-se contra os interesses da amplíssima maioria do povo brasileiro, que não tem seu sustento assegurado pelos governos e precisam da capacidade das empresas de gerar emprego e pagar salários.

A reforma trabalhista também poderá contribuir tremendamente para que as empresas livrem-se das ameaças permanentes que a justiça do trabalho impõe, gerando inseguranças que reduzem a disposição das empresas de empregar, pela ameaça que o oportunismo de alguns funcionários representa através de sua facilidade de sucesso em demandas na justiça do trabalho, mesmo que infundadas. A redução dessa outra ameaça também será importante para a retomada da Economia. As empresas poderão contar com maior previsibilidade dos seus custos da mão de obra e com isso elevar o nível de emprego e contribuir para a retomada da economia. Ou seja, medidas recentes importantes no congresso nacional poderão contribuir fortemente para a retomada, apesar da oposição truculenta dos reacionários de plantão, que muitas vezes escondem-se atrás de discursos de esquerdistas e de pessoas preocupadas com os pobrezinhos dos trabalhadores, mas que nada mais fazem do que revelar seu temor por tudo que é novo e arrojado, ou proteger seus privilégios conseguidos às custas do penar da maioria da população do país. Está de parabéns o Congresso Nacional, que soube enfrentar o corporativismo e privilégios desses burocratas e reacionários camuflados que estão tentando atentar contra os interesses da maioria dos brasileiros.

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