Lição de saúde na sala de aula

Ricardo Barros
Ministro da Saúde

Publicação: 04/05/2017 03:00

As crianças, além de serem multiplicadoras de boas atitudes, influenciando no comportamento de pais e familiares, serão responsáveis pelos novos hábitos de vida no país. Temos de falar sobre a importância de cuidar da saúde dos nossos cidadãos desde a infância e, por isso, o Ministério da Saúde neste ano garantiu orçamento duas vezes maior para fortalecer as ações de saúde nas escolas. Queremos que essas iniciativas, fundamentais para melhoria do acesso à saúde da nova geração e, principalmente, conscientização sobre promoção e prevenção à saúde, chegue a todos os estudantes da rede pública de ensino.

Há um cenário preocupante que precisamos reverter. Dados recentes divulgados pelo Ministério da Saúde demonstram que a obesidade cresce no Brasil – já atinge 8,4% dos nossos adolescentes e 18,9% da população adulta. O índice de hipertensão já supera 25% e de diabetes chega a quase 9%, entre adultos. Eles apontam para o risco de doenças graves do coração e cerebrais que estão diretamente ligadas aos hábitos de vida. O brasileiro reduziu o consumo de feijão, frutas e verduras, enquanto doces e produtos ultraprocessados estão cada vez mais presentes na sua dieta. A prática de atividade física só é comum a 37,6% dos adultos.

Se queremos que nossas crianças se tornem adultos mais saudáveis e influenciem a família, sem dúvida, a escola é um dos principais ambientes capaz de promover mudanças sólidas nos hábitos de nossa população. Por isso, neste governo, os ministérios da Saúde e Educação estão empenhados para a maior integração entre os profissionais do SUS e das instituições de ensino do país.

Temos mais de 32 mil equipes ligadas às unidades básicas de saúde de 4.787 municípios aptas para esse trabalho, com capacidade de atender mais de 80 mil escolas. Serão disponibilizados R$ 89 milhões em parcela única para as prefeituras que aderirem ao Programa Saúde na Escola, valor muito acima dos anos anteriores, que eram executados em média R$ 35 milhões. Vamos desburocratizar o uso desses recursos para garantir a realização das ações.

Os estudantes terão, entre outras atividades, atualização do calendário vacinal, medição do peso para diagnóstico de obesidade, incentivo à alimentação saudável, cuidados com a escovação dos dentes e saúde bucal, ações para identificar problemas de visão, voltadas para prática de atividade física e, com os jovens, para a prevenção de doenças sexuais, como a aids. Temos 12 temas prioritários para serem trabalhados por professores e profissionais das equipes de Saúde da Família nas salas de aula. Essa articulação de saúde e educação possibilita mais controle de possíveis vulnerabilidades na saúde de crianças e jovens, o que vai possibilitar na identificação de quem precisa de assistência para acompanhamento nas unidades de saúde, entre os vários benefícios das ações articuladas.

Em vacinação demos passos importantes. Pela primeira vez, a campanha de imunização contra influenza vai incluir os professores, um pedido antigo da comunidade escolar. Em maio deste ano, começamos uma mobilização para vacinação nas escolas que, além da gripe, vai focar na proteção dos adolescentes contra HPV e meningite. O combate ao Aedes aegypti, o mosquito transmissor da dengue, zika e chikungunya, deve fazer parte das rotinas de todas as instituições e casas do país.

Tão importante quanto aprender matemática e português, é aprender que o consumo de alimentos naturais, como frutas, verduras e cereais fazem melhor para a saúde que o consumo de produtos ultraprocessados. Que a prática de atividade física faz bem ao coração e pode fazer você viver mais e melhor. Os estudos divulgados pelo Ministério da Saúde apontam que quanto maior a escolaridade, mais as pessoas adotam hábitos saudáveis. É a prova de que os estudantes levam essas lições para casa e para a vida.

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