EDITORIAL » A força das imagens no encontro de Lula e Moro

Publicação: 04/05/2017 03:00

A repercussão midiática da Lava-Jato sempre esteve presente nos debates sobre os atos da operação, abrangendo desde aspectos mais frívolos (como o policial federal que de tanto aparecer acompanhando as prisões acabou se tornando uma celebridade instantânea) até outros mais relevantes, como o vazamento de depoimentos mantidos sob sigilo. Ontem a defesa de Luiz Inácio Lula da Silva incorporou um novo capítulo ao repertório — o das gravações do depoimentos, que são feitas pela Justiça Federal.  Os advogados do ex-presidente requereram ao juiz Sérgio Moro que a captação das imagens seja modificada, argumentando que da forma como estão sendo feitas “[claramente] resulta em prejuízo ao acusado, uma vez que sua imagem é apresentada ao público em geral de forma inferiorizada”.  É a primeira vez que esse tipo de solicitação é feito.

No formato até agora utilizado, aparece o réu mas não quem está fazendo as perguntas.  A defesa de Lula requereu “o registro do que se passa em todo recinto onde ela (audiência) se realiza e direcionamento da câmera à pessoa que está a fazer uso da palavra, não a deixando repousar exclusiva e fixamente na pessoa do interrogado, mas, sim, promovendo a gravação da íntegra do ato, incluindo, mas não se limitando, todos aqueles que fizerem uso da palavra”.  Aparentemente, quer evitar que o interrogado pareça estar “acuado”, o que se viu em algumas gravações — aspecto que pode ser magnificado dependendo da edição que se faça das imagens.  “Nos moldes em que atualmente é captada a imagem, focando a câmera exclusivamente os acusados”, afirma o texto dos advogados de Lula, “(i) não há registro fidedigno de todo o ato processual, na sua inteireza e, assim, (ii) viola-se a garantia constitucional da presunção de inocência, externando-se uma imagem negativa do réu, o que se agrava à medida em que o processo é de acesso público e (iii) se propaga uma imagem distorcida dos sucessos verificados na audiência, impedindo que sejam avaliadas a postura do juiz, do órgão acusador, dos advogados e de outros agentes envolvidos no ato, inclusive para fim de valoração da legitimidade do atos pelas superiores instâncias”.

O interrogatório de Lula está marcado para o próximo dia 10, em Curitiba, como parte da ação penal em que o ex-presidente é acusado de corrupção passiva e lavagem de dinheiro pelo caso do triplex do Guarujá.  Será o primeiro encontro direto dele com Sérgio Moro — e o mais midiático de toda a Lava-Jato.

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