Como implementar a gestão participativa nas organizações?

Diego Perez
Jornalista, pós-graduado em planejamento e gestão pública e secretário executivo de Esportes do governo de Pernambuco

Publicação: 02/05/2017 03:00

A gestão participativa tem sido muito discutida na busca de melhores resultados para empresas ou instituições. A valorização dos colaboradores, através de verbos essenciais, como ouvir, respeitar, envolver, debater e reconhecer pode produzir melhorias significativas no ambiente de trabalho. Saber gerir talento humano se tornou indispensável para o sucesso. E para se chegar a isso é necessária uma mudança na visão das organizações.

Os primeiros passos para uma boa gestão participativa vão no caminho da não verticalização das estruturas. Os comandantes precisam dar espaço a líderes. Em vez de centralizar, devem delegar. Devem buscar a horizontalização, onde os cargos não são o mais importante, mas as pessoas e as funções que executam.

Quanto mais distäncia houver entre “chefes” e “subordinados”, maior a probabilidade de ruídos na comunicação e distorção no entendimento das necessidades dos clientes/sociedade. O executor é quem normalmente está na ponta e lida com o produto e o cliente final. Ao repassar suas informações para os “superiores” de cada grau da hierarquia, há risco dessa comunicação não chegar aos principais “comandantes” da melhor maneira.

Os executores, por esse contato tão próximo ao cliente/sociedade, podem ajudar a formular melhor as estratégias. E o até então comandante, ao estar ao lado, e não mais acima desses profissionais, pode entender melhor cada necessidade. Quanto menos níveis hierárquicos, melhor também a prática de feedbacks, e quanto mais rápidos os feedbacks, mais rápidas as correções, as decisões e maior a possibilidade de melhoria nas ações.

Como as pessoas tem menor distância dos “superiores”, recebem feedbacks constantes e se tornam mais autônomas, podendo gerenciar a si mesmos e ajudar a gerenciar o próprio setor. Os próprios setores podem passar a se auto gerenciar, se integrar a outros setores para mais melhorias e avanços nos processos. Nesse caminho é fundamental uma visão mais ampla, que transpasse setores e quebre paredes. Quanto menos paredes, divisões e isolamentos, melhor a integração, comunicação, visão, entendimento e compartilhamento de ideias e ações por parte do time.

Essa integração e entendimento do todo, aliados a uma maior flexibilidade das estruturas organizacionais e a uma maior integração das pessoas favorece a formação de equipes multifuncionais. Sem prezar por setores ou cargos, mas por competências necessárias à resolução de determinados. O poder criativo e a inovação são bastante favorecidos nesse tipo de processo.

Cabe ao líder estimular esse desenvolvimento, buscando formações adequadas que atendam às necessidades das pessoas e das organizações. Com isso surgem novas chances de evolução profissional, aumentando ainda mais o estimulo, a possibilidade de uma melhor remuneração, sem contar a autoestima e o envolvimento com os líderes, com os companheiros de time e com o local de trabalho. Surge também uma maior identificação e vínculo com quem promoveu, incentivou e fez crescer profissionalmente e pessoalmente.

A satisfação e o reconhecimento produzem sentimentos que estimulam ainda mais o trabalho, possibilitando mais chances de melhores desempenhos e resultados. Um ciclo de motivação- resultado- motivação essencial à busca da excelência.

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