EDITORIAL » O perigo da chikungunya

Publicação: 01/05/2017 03:00

O ministro da Saúde, Ricardo Barros, avaliava no fim do ano passado que o combate ao Aedes aegypti e à febre chikungunya seria um dos principais desafios de sua área para 2017. A previsão do político do PP do Paraná começa a se confirmar. O mais recente boletim do ministério indica que, em meados de março, o país já registrava 26.854 casos prováveis de chikungunya, doença transmitida pelo mesmo mosquito responsável por propagar a dengue. O balanço tende a piorar com os números fechados de abril.

A chikungunyaé uma doença infecciosa febril, causada pelo vírus CHIKV.Segundo informativo do Ministério da Saúde, chikungunya significa “aqueles que se dobram” em swahili, um dos idiomas da Tanzânia. Seria referência à aparência curvada dos pacientes que foram atendidos na primeira epidemia documentada no país africano, na década de 1950 – um sintoma característico é dor nas articulações, que pode durar meses, além de febre alta, dores de cabeça, erupção de pele e conjuntivite.

O Brasil registrou os primeiros casos de transmissão da doença em 2014. No ano passado, as notificações no país passaram de 100 mil. Em 2017, a combinação de sintomas prolongados, condições favoráveis à propagação do Aedes entre grande número de pessoas que nunca tiveram contato com o vírus CHIKV é motivo de especial preocupação entre autoridades de saúde e especialistas. Helena Duani, professora de infectologia da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), alerta que o avanço da chikungunya pode provocar grande impacto social. “Se pensarmos na dificuldade de trabalhar e de realizar ações rotineiras, a doença tem, sim, impacto social maior”, acrescentou. Ela considera haver risco de “epidemia descontrolada” por causa das grandes chances de contaminação e transmissão. “O vírus foi trazido para o país e, como temos o vetor em abundância, foi se alastrando. Por ser uma doença nova, a população não tem imunidade”, afirma.

Há preocupação especial nas regiões Norte e Nordeste. Ceará, Tocantins e Roraima estão entre os que apresentam maior taxa de incidência, aponta balanço do Ministério da Saúde. Entre os municípios, chama a atenção o alto índice de notificações em Praia Norte (TO), Governador Valadares (MG), Porto Velho (RO) e Fortaleza (CE).

Diante do cenário preocupante, é de se esperar que autoridades de saúde ampliem ações. É certo que o país tem condições favoráveis para a proliferação do Aedes, mas o Estado deve empregar todos os recursos necessários para combater o mosquito.

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