Como as tecnologias digitais promovem humanização na Saúde

Paulo Magnus
Sócio da MV

Publicação: 20/04/2017 03:00

Você usa um aplicativo para checar sua conta no banco, ou para se entreter enquanto espera um compromisso, pede comida em poucos toques pelo smartphone, monitora o trânsito com ajuda de outro aplicativo e ainda se comunica com amigos e familiares usando o celular. Quase tudo na palma da mão. Em cerca de dez anos, 75% dos pacientes vão utilizar os serviços digitais de Saúde, segundo dados da CIOnet, comunidade europeia de executivos de TI.

Transformar a Saúde por meio da tecnologia é uma das premissas mais discutidas no setor. E além de benéfico para a sociedade, esse objetivo tem um potencial de negócio enorme por aqui. No Brasil, o setor congrega mais de 270 mil estabelecimentos, entre laboratórios, hospitais e centros clínicos. Estamos falando do sétimo maior mercado de Saúde do mundo e de uma possibilidade de mudança na gestão dessas instituições.

Entretanto, falar de tecnologia não é exatamente uma novidade. Há décadas o assunto é discutido e a busca por inovações gera uma verdadeira corrida pelo pote de ouro no final do arco-íris. O que mudou nos últimos anos foi a compreensão maior da humanização na Saúde. Os pacientes ganharam um papel decisivo no jogo, exatamente como tem de ser. Mais do que números, queremos subsídios que proporcionem melhores condições de atendimento, autonomia e bem-estar.

Ao longo dos últimos anos ficou claro que o desenvolvimento das aplicações tecnológicas deve levar em conta o engajamento do paciente. O empoderamento do cliente chegou a patamares nunca antes vistos, e isso é muito bom. O acesso fácil à informação, em frentes como a Internet e a TV digital, está permitindo um gigantesco movimento de mudança de foco na prestação de serviços.

Não estamos falando em uma tecnologia que busca a realização remota de diagnósticos, ou em sistemas que eliminem a necessidade de profissionais, pelo contrário, o que o setor busca é um formato de tecnologia que agregue, que inclua, que interaja. As palavras-chave nesse momento são interação e dados, com vistas à humanização na Saúde.

O paciente quer saber resultados, acompanhar, participar do processo. Os hospitais, por sua vez, precisam de sistemas integrados de dados. Precisam de contexto, histórico médico, prontidão e rapidez nos processos para melhores diagnósticos. Não há mais lugar (nem tempo) para papel, para pastas, para fichas.

Mas tudo isso também tem um toque futurista, que aliás, já não está mais tão distante assim. Temos a tecnologia cognitiva, por exemplo, que se baseia na avaliação de dados, porém com uma linguagem mais natural, criando hipóteses baseadas em evidências.

Dados apresentados no HIMSS 2016, conferência anual que reúne profissionais de TI de Saúde, médicos, executivos e fornecedores do mundo todo, indicam que já são cerca de 300 companhias em atividade e as tecnologias ganham cada vez mais espaço para humanização na Saúde. São produtos para o monitoramento de dados vitais, como: relógios, óculos, pulseiras, camisetas e aplicativos, os chamados wearable devices, ou dispositivos vestíveis.

Além de tornar a Saúde mais digital, esses dispositivos promovem a prevenção de doenças e melhoram a experiência dos pacientes. Prova de que essa é a bola da vez é a presença de destaque do segmento na Consumer Eletronics Show (CES), uma das principais feiras mundiais da indústria de tecnologia.

Na outra ponta da história, também há a expansão das inovações que auxiliam no tratamento ou acompanhamento médico à distância. Além de aproximar médicos e pacientes, os equipamentos da chamada telemedicina são especialmente importantes se pensarmos em municípios do interior ou distantes dos grandes centros onde faltam profissionais e estrutura adequada.

O fato é que esse é um caminho sem volta e a humanização na Saúde, por meio da tecnologia digital, é cada vez mais requerida - e fundamental para as instituições que visam uma gestão mais profissional e uma aproximação com os pacientes. O direito de saber tudo a um toque, agora, também está presente na Saúde.

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