#SomostodosMirella

Danilo Cabral
Deputado federal (PSB-PE)

Publicação: 20/04/2017 03:00

Na manhã do dia 5 de abril, um crime bárbaro chocou o povo de Pernambuco. A fisioterapeuta Tássia Mirella Sena de Araújo, 28 anos, foi estuprada, torturada e morta com uma facada no pescoço, dentro de sua casa, no Recife. Infelizmente, a tragédia do caso Mirella não é isolada.

Ao longo da história da humanidade, as mulheres foram dominadas, exploradas e oprimidas. Em pleno século 21, não podemos mais tolerar a violência que persiste, vitima e mata milhares de mulheres no mundo. No Brasil, a cada cinco minutos uma mulher sofre algum tipo de violência. De acordo com o mais recente Mapa da Violência 2015, que traz dados sobre o homicídio de mulheres no Brasil (Flacso/OPAS-OMS/ONU Mulheres/SPM), 13 mulheres morreram por dia no ano de 2013. É preciso dar um basta definitivo a esta barbárie.

Como outros assassinatos de mulheres, o de Mirella é mais um feminicídio. Crime contra a vida esse tipo de homicídio é cometido contra a mulher por razões da condição de a vítima ser do sexo feminino. O feminicídio é, assim, a resultante extrema da cultura do machismo, que inferioriza e objetifica a mulher, ao ponto de torná-la vulnerável ao assédio, ao estupro e à morte. A cultura machista é transmitida e reforçada todos os dias em rodas de conversas, espaços públicos, em casa e no trabalho, em músicas, programas televisivos, publicidades.

Nesse contexto, deparamo-nos com o lamentável discurso machista do deputado Jair Bolsonaro proferido no último dia 3 de abril, no Clube Hebraica, no Rio de Janeiro. Ao se referir ao nascimento de sua filha, Bolsonaro alegou que o fato de nascer uma mulher dentre seus filhos homens foi decorrente de “fraqueza” de sua parte. Um verdadeiro absurdo. Numa combinação de irresponsabilidade, ignorância e oportunismo, o discurso de Bolsonaro incitou o ódio e o preconceito contra mulheres e também contra negros, índios e quilombolas, em flagrante desrespeito aos preceitos exarados por nossa Constituição Federal. Este tipo de conduta de estímulo ao preconceito e à intolerância não pode mais ser ignorado e o Parlamento Brasileiro precisa ser a referência no combate ao machismo, racismo e qualquer forma de discriminação.

Precisamos evitar de forma veemente que mais Mirellas, Marias ou Anas sejam agredidas, violentadas e assassinadas em nosso país. Basta de feminicídio!

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