EDITORIAL » Por que o papa é pop?

Publicação: 19/04/2017 03:00

Era para ser uma resposta burocrática. A carta, no entanto, serviu para consolidar a imagem de líder do papa Francisco, um homem que assumiu o pontificado da Igreja Católica há quatro anos disposto a quebrar tabus, promover reformas profundas e tomar posições firmes - muitas delas até surpreendentes. O presidente Michel Temer havia enviado no final de 2016 um convite para que a Igreja participasse das celebrações dos 300 anos da aparição de Nossa Senhora Aparecida no Brasil, comemorados em 2017. Papa Francisco declinou e o retorno dado por ele veio a público agora. Na correspondência enviada à Presidência, pediu a Temer que olhe para a população mais carente e fez um apelo no sentido de que o atual governo evite medidas que piorem a situação atual do país.

No trecho mais contundente do documento, o papa ponderou que não pode dar receita para os problemas brasileiros, mas que não ficaria isento de pensar nas pessoas, sobretudo os pobres, que se veem abandonados e - palavras dele - “costumam ser aqueles que pagam preço mais amargo e dilacerante de algumas soluções fáceis e superficiais para crises que vão muito além da esfera meramente financeira”. Disse também que não se pode “confiar nas forças cegas e na mão invisível do mercado”. Uma frase que chega no mesmo momento em que o Governo Temer tenta aprovar reformas econômicas. Afirmou que acompanha com “atenção” os acontecimentos vividos pelo maior país da América Latina.

O papa Francisco tem feito história em sucessivas declarações sobre questões sociais e culturais. Muitas delas afetam e influenciam o modo de pensar de fiéis e simpatizantes dele. Lembra-se: em novembro de 2016 ele autorizou que padres da Igreja Católica perdoassem o aborto. Médicos e pacientes não mais seriam excomungados pela Igreja. Antes, somente bispos teriam permissão para tal feito. Ele uniu Cuba e EUA ao negociar o fim do embargo entre dois países. Em 2015, tornou a anulação do casamento mais simples e deixou em aberto a chance do debate sobre um fiel divorciado se casar novamente na Igreja. A respeito do celibato dos padres, declarou que a porta está sempre aberta para discutir o assunto. Com relação aos homossexuais, respondeu quando questionado sobre o tema com acolhimento em forma da pergunta “Quem sou eu para julgar?”.

Não por acaso, o papa Francisco tem conquistado tantos novos admiradores.

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