EDITORIAL » Sentimento de dor abate Francisco

Publicação: 17/04/2017 03:00

O semblante habitualmente leve do papa Francisco, ontem, durante a tradicional bênção Urbi et Orbi (à cidade e ao mundo), para milhares de fiéis que lotavam a Praça de São Pedro, parecia bem mais sombrio. Não era para menos. A celebração dos eventos da Páscoa, neste ano, começou marcada pela violência, que logo no Domingo de Ramos deixou um saldo de 43 mortos e 118 feridos depois de dois atentados a duas igrejas cristãs coptas no norte do Egito. Numa entrevista ao jornal italiano La Repubblica,quinta-feira, o pontífice reiterou o apelo para que o mundo “detenha os senhores da guerra”, segundo eles, os que verdadeiramente lucram com o horror resultante dos conflitos. O papa defendeu a ideia de que na força de destruição das guerras está a maior manifestação do pecado, hoje em dia, e confessou que nesta Semana Santa vive “particular sentimento de dor”, surgido com a agudização desse tipo de violência.

Francisco se esforça para mostrar ao mundo que enquanto a guerra implica em abandono para os mais frágeis – os desarmados -, é um grande negócio para a indústria de armas, verdade trazida à luz por relatório lançado pelo Instituto SIPRI, de Estocolmo, há dois anos. “Sinto que devo pedir com muito mais força pela paz”, declarou ele, enfatizando essa determinação na bênção de ontem quando mencionou especificamente o Oriente Médio e a Síria, “onde reinam o horror e a morte”. Aqui, o pontífice fazia alusão ao “vil ataque” ocorrido sábado contra civis que fugiam da periferia em Allepo. Pelo menos dez pessoas morreram. “Peço fervorosamente a Deus que conceda aos representantes das Nações o valor de evitar que se propaguem os conflito e que eles possam acabar com o tráfico de armas".

A violência no mundo, agravada pelo terror e as guerras, há muito tem ocupado a maior parte da agenda e dos discursos do papa. Durante as visitas a países atingidos, de uma forma ou de outra, pelo flagelo, não se cansa de advertir os governos para que sejam firmes no combate aos traficantes de armas, contra a corrupção e usurpadores de dinheiro público importante para suprir as necessidades da população. Mas, se fazer ouvir não é um desafio que demande apenas esforço pessoal: ele sabe que é fundamental a união de todos contra o inimigo comum. Uma luta que, enquanto não é travada com o envolvimento amplo de sociedades e governos, lembra, na desproporção de forças, a de Davi contra o gigante Golias.

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