Educar para a paz

Gilvandro Coelho
Advogado e professor titular da Unicap (licenciado)

Publicação: 15/04/2017 03:00

A mensagem dirigida ao mundo pelo papa João Paulo II, no já distante ano de 1979, ao ensejo da XII Jornada Mundial da Paz, continua atual. Permanentemente reiterada por Francisco, o pontífice da humildade, ela demonstra que, para se alcançar a paz, é preciso educar para a paz. Como Sua Santidade, estamos firmemente convencidos de que a paz entre nações exige, além de uma adequada preparação das pessoas e da própria sociedade, a confluência das energias de solidariedade, de bondade, de amor, e de justiça latentes no coração do próprio homem. Urge despertá-las de modo disciplinado. A paz se constrói com o espírito e com o coração. Ela se afirma com as ideias e com a ação. Por isso é imperativo que as palavras de paz se convertam em convicções de paz e estas em ações de paz, conforme os ensinamentos da Igreja. Esse tema binário que integra e liga educação e paz foi inicialmente trabalhado por Paulo VI, pouco antes de sua morte, mas continuou sendo desenvolvido por seus sucessores. O seu conteúdo, convém recordar, mesmo que de forma sucinta, para melhor fixação de objetivos e responsabilidades: “Educar para a paz é o mesmo que dizer: educar em primeiro lugar cada pessoa, individualmente, para tomar consciência da própria responsabilidade na paz; e depois, para ser capaz de agir em favor da paz”. Assim sendo, a educação para a paz constitui um dever de todos os homens e mulheres. Não deve excluir ninguém. Embora voltada preferencialmente para os jovens, ela se dirige, de uma maneira particular, a todos os responsáveis socioculturais, que se devem tornar artífices da paz. Estarrecidos com a brutalidade dos que matam crianças pela ação de gazes letais, como ocorreu recentemente na Síria, não podemos ficar calados nessa hora triste. É nosso dever mostrar que criança e paz simbolizam, na aparente distância dos conceitos, a contradição, racionalmente inexplicável, entre o pensamento, que traduz a intenção, o desejo profundo da alma e a ação efetivamente desenvolvida pelos homens. Reconhecemos a importância da paz e os efeitos danosos das guerras e atos terroristas. Sabemos bem o que deveremos fazer. Conhecemos os deveres que, individual e coletivamente, nos obrigam. Porém, a educação pressupõe aproximação dos homens, que não pode se cingir ao encurtamento das distâncias pela velocidade da comunicação, hoje ainda mais facilitada por aplicativos nos smartphones. Deverá sim corresponder a uma aproximação real, ética e espiritual, pelo cultivo sistemático dos valores inerentes à condição humana: a verdade, o bem, o amor e a justiça. Meditemos sobre esses problemas, para não lamentarmos, tardiamente, a omissão.

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