EDITORIAL » O Brasil não pode parar

Publicação: 14/04/2017 03:00

As instituições e o Brasil não podem parar ante a lista de deputados, senadores, governadores, ex-presidentes, ministros, prefeitos que passam, agora, à condição de investigados pela Operação Lava-Jato, com base em delação de ex-dirigentes e ex-diretores da Odebrecht. A relação divulgada na tarde de terça-feira pelo ministro do Supremo Tribunal Federal Edson Fachin, relator do maior escândalo de corrupção de todos os tempos, indica que a crise política se arrastará por muito tempo. Ontem, mesmo sem citar o episódio, o presidente Michel Temer chamou a atenção para a responsabilidade de cada um dos Poderes, com destaque para o Executivo e o Legislativo: “Não podemos paralisar o país”.

Em tramitação no Congresso Nacional, estão reformas, como a da Previdência e a trabalhista, e outros projetos entendidos como essenciais ao reequilíbrio fiscal, sem os quais o Brasil seguirá patinando na profunda recessão econômica em que se encontra. A crise, que se arrasta desde 2014, acumula prejuízos incalculáveis, entre eles o desemprego de 13,5 milhões de pessoas, a retração nos investimentos por empresários nacionais e estrangeiros e outros danos em todos os setores sob responsabilidade do Estado.

As denúncias que afetam as autoridades têm que ser colocadas na conta dos problemas pessoais de cada um dos envolvidos. Aqueles que não se sentem capazes de compatibilizar a elaboração da própria defesa com o cumprimento de suas funções devem se afastar do cargo que exercem. Inconcebível é negligenciar seus deveres em razão dos erros pelos quais são investigados. No Executivo, as regras de tratamento aos citados foram definidas pelo presidente em fevereiro deste ano: ministro denunciado será afastado provisoriamente e, se transformado em réu, será demitido.

Embora arranhe a imagem do país, a Lava-Jato tem a virtude de romper com esquemas nocivos às estruturas do Estado. Há muito, o Brasil precisava quebrar um círculo vicioso (dominado pela corrupção e por atores que se locupletam) de desvios do dinheiro público para nutrir oligarquias, proteger apadrinhados e garantir enriquecimento pessoal. Nos últimos três anos de investigações das forças-tarefa em curso, máscaras caíram e a sociedade passou a ter clareza das razões da falência dos serviços públicos.

Cabe ao Congresso dar continuidade à apreciação e votação de projetos necessários à saída do país da profunda crise em que está mergulhado. O momento não permite procrastinações e negociatas. É hora de os Poderes dar-se as mãos e conjugar esforços na mesma direção. O Brasil não pode parar.

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