O novo ensino médico em Pernambuco

Cláudio Lacerda
Diretor do curso médico da Uninassau e professor titular de Cirurgia da UPE

Publicação: 12/04/2017 03:00

A recente proliferação dos cursos de graduação em medicina em Pernambuco - todos com boa qualidade e métodos pedagógicos modernos, foi necessária e precisava acontecer. Senão vejamos.

A Organização Mundial de Saúde considera ideal a relação de 34 médicos para cada dez mil habitantes. É mais ou menos o que se observa, em média, na Europa. No Brasil, essa proporção é duas vezes inferior e em Pernambuco menor ainda, pois são apenas 12,6 médicos para cada dez mil habitantes. Se considerarmos que o Recife consolidou-se como um polo médico importante, que atende a milhares de pacientes de maior complexidade, provenientes de estados vizinhos e até de outras regiões, fica fácil entender os motivos da grave carência desses profissionais, tanto na rede pública, quanto na privada.

Isso é particularmente crítico em especialidades como anestesia, pediatria, terapia intensiva, ortopedia, neurocirurgia e tantas outras. Também explica porque, no Brasil, todos já ouvimos falar de engenheiros, advogados e administradores desempregados, mas nunca ouvimos falar de médicos sem trabalho.

Some-se a isso o aumento da demanda por serviços de saúde decorrente do crescimento populacional, do aumento da longevidade e da superespecialização da medicina moderna. Antigamente, tínhamos um único médico que cuidava de todos e de quase tudo na família. Hoje temos, por exemplo, o ortopedista de joelho, o de coluna, o de quadril, o de mão e o de ombro. As pessoas precisam de um número muito maior de médicos.

Por outro lado, há um imenso e contínuo contingente de jovens brasileiros que conclui curso médio de qualidade e sonha em ser médico, mas que, mesmo tendo boa base, sobram nos vestibulares, vítimas de uma concorrência brutal, onde a diferença de décimos na média final pode significar a diferença entre a aprovação de poucos e a frustração de centenas.

Evidentemente, a solução sustentável para esse problema não seria a importação de profissionais de saúde, de qualificação discutível, sem a revalidação de seus diplomas (programa mais médicos), mas o aumento responsável e bem calculado do número de vagas e cursos de medicina no país, em busca do ponto de equilíbrio entre demanda e oferta de serviços.

Para exercer efetivo controle de qualidade sobre esses novos cursos, o Ministério da Educação acaba de instituir, de maneira oportuna, a Avaliação Nacional Seriada dos Estudantes de Medicina – ANASEM. Na semana passada, os resultados das primeiras provas desse exame foram divulgados. O Nordeste obteve média superior à nacional e Pernambuco ficou acima da média do Nordeste.

Além de estarmos formando um número muito maior de médicos, o que vai ao encontro das necessidades atuais e principalmente futuras da nossa população, tudo indica que estamos formando profissionais modernos e de bom nível, pelo menos em sua maioria. Parabéns aos que fazem o novo ensino médico de Pernambuco.

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