ATI: a agência de ciber inteligência do governo

Luiz Ernesto Mellet
Gestor governamental da Secretaria de Planejamento de Pernambuco

Publicação: 11/04/2017 03:00

O comboio puxado por uma locomotiva decorando boa parte do pátio não deixa dúvidas sobre a autoria. O inconfundível traço de Brennand está presente em cada ladrilho do mural. O alongado painel em cerâmica emparedado no interior do prédio lembra as origens dessa edificação erguida às margens do Capibaribe, adjacente à Estação Central e defronte à antiga cadeia da cidade, hoje a Casa da Cultura.

O prédio está atrelado à história dos trilhos na cidade. Por isso, há um museu em suas instalações que remota ao tempo dos primeiros dormentes assentados em terras pernambucanas, fincados a golpes de marreta pela inglesa Great Western Railway que, não obstante ter aberto as principais vias férreas da região, também bancaria a construção da suntuosa Estação Central do Recife, em 1885.

As caldeiras a vapor levaram a humanidade para outro patamar da história fazendo o trem de ferro despontar como um dos mais significativos símbolos da modernidade. Hoje, esse mesmo prédio acomoda outro engenho humano que vai levar a humanidade para um inimaginável degrau no futuro: a tecnologia da informação.

Não haveria local mais apropriado para sediar a Agência Estadual de Tecnologia da Informação, a ATI. Ali trabalham cerca de 200 funcionários, na verdade menos da metade do seu efetivo. Uns 300 estão alocados em algumas das secretarias da administração estadual. Para se ter ideia do contingente da casa trabalhando fora, um terço de analistas a serviço na Secretaria da Fazenda são egressos da agência. E há bons motivos para eles estarem lá.

O sistema e-Fisco abrange todas as informações orçamentárias e execuções financeiras das 29 secretarias e 48 órgãos integrantes do governo. Sua implantação trouxe agilidade e mais economia às operações que movem a máquina fazendária. Isso alavancou a arrecadação do estado.

No futuro, Pernambuco vai contar com o Sistema Eletrônico de Informação, o Sei. Trata-se do sistema adotado pelo Governo Federal que aboliu os papéis das mesas dos ministros e colaboradores mais próximos do Planalto. Espera-se, com isso, que todos os procedimentos administrativos sejam digitalizados. Tal sistematização vai permitir integrar as ações do governo de modo que, por exemplo, o processo de licitação, compra e estoque se dê num único movimento e não em três etapas.

A tecnologia da informação de ponta também traz benefícios diretos para o cidadão comum. A divisão de tecnologia da Secretaria de Defesa Social (SDS) – desde o videomonitoramento das 500 câmeras distribuídas nos cruzamentos da cidade até a abertura de um mero boletim de ocorrência (BO), passando pelo atendimento às chamadas do 190 – está a cargo dos servidores da ATI.

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