Temer governa pra quem?

Luciana Grassano Melo
Professora de Direito da UFPE

Publicação: 05/04/2017 03:00

A BBC/Brasil, em 27/03, publicou artigo em que Charles R. Johnston, diretor global de assuntos governamentais do Citigroup - um dos maiores conglomerados bancários dos Estados Unidos, se rasga em elogios ao presidente: “Michel Temer é "um dos melhores políticos do Brasil" porque "tem coragem" para tocar reformas impopulares, apoia a venda de ativos públicos para investidores estrangeiros e tem boa relação com o Congresso para aprovar estas medidas”. O interessante artigo se intitula: “Conselheiro informal do governo Temer, Citi promove privatizações brasileiras nos EUA”.

As reformas impopulares louvadas pelo diretor global do Citigroup são todas contra os trabalhadores, os aposentados, os jovens, as mulheres e os pobres do Brasil, quais sejam: o congelamento do teto de gastos públicos para os próximos 20 anos, a precarização da relação de trabalho a partir da terceirização de mão de obra ampla e irrestrita, a reforma da previdência social, entre outras perólas desse governo golpista.

O diretor global do Citigroup louva também a “coragem” de Temer de apoiar a venda de ativos públicos para investidores estrangeiros. O programa de privatizações do governo golpista pretende transferir áreas de mineração e exploração de petróleo e gás (incluindo o pré-sal), usinas e empresas de energia, portos, ferrovias e outras áreas estratégicas nacionais para investidores privados estrangeiros. E adivinha quem patrocinará um encontro entre seus principais clientes e ministros brasileiros em Nova York, no mês que vem?

O diretor geral do Citigroup acha o máximo a boa relação do presidente com o Congresso para apoiar estas medidas e, com generosidade, minimiza: “Investigações sobre corrupção são sempre constrangedoras, mas acredito de coração que o governo está tentando acabar com a corrupção”.

E eu acredito de coração que a máxima de Wall Street continua a mesma de sempre: Não existe almoço grátis no Estados Unidos. E é claro que o consultor informal do governo Temer para assuntos de privatização de ativos públicos, no caso o Citigroup, presta assessoria ao governo para proteger os interesses do Banco, e não dos cidadãos brasileiros.

No caso do Brasil, sabemos que existem vários almoços grátis. E jantares, também, em churrascarias de carne importada, inclusive. Só que não somos convidados, a não ser para pagar a conta. E pagamos a conta dos almoços e jantares grátis, e também das comissões, do caixa 2, das propinas e do rombo nas contas públicas.

É mesmo muito interessante que um presidente que tem menos de 10% de aprovação popular receba tantos elogios de representantes do setor financeiro internacional. A pergunta que não quer calar: Temer governa pra quem, mesmo?

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