Sobrevivência e mortalidade das empresas

Cláudio José Sá Leitão
Sócio da Sá Leitão Auditores e Consultores

Publicação: 01/04/2017 03:00

O empresário que se depara com a morte “antes da hora”, pode levar consigo as informações sobre os negócios e deixar sua família em maus lençóis. Em muitos casos, nem mesmo o contador pode ajudar, pois detendo as informações contábeis e tributárias, este quase sempre não tem atuação efetiva na gestão. Nos casos de passivos provenientes de dívidas ou de contingências, não é comum serem registrados, o que gera uma confusão enorme entre as contas da pessoa física e da pessoa jurídica. Tendo a empresa mais de um sócio, na falta de um deles, o sócio que fica a frente da direção pode se sentir prejudicado ao assumir sozinho os deveres da empresa e ter que dividir os lucros com os familiares do sócio ausente. O perfil centralizador e conservador de alguns empresários colaboram para que o problema de sucessão familiar se agrave. Muitas vezes o empresário decide enfrentar as dificuldades sozinho, sem querer levar as preocupações do seu negócio para a família. Por sua vez, os seus familiares não tomam conhecimento e nem acompanham a gestão do seu negócio. No meio empresarial, esse tipo de empresário é conhecido como “back up”, por não passar as informações para ninguém. Se não for bem planejada a sucessão familiar, desse tipo de “gestão”, pode levar o negócio à falência numa velocidade assombrosa. É salutar que o empresário analise a aptidão de seus herdeiros, fazendo-os passar por um processo de seleção, que vise à escolha daquele mais apto para administrar a empresa. Prepará-lo, desde cedo, pode até ser um meio eficaz de evitar a ocorrência de problemas jurídicos. Situações embaraçosas podem ocorrer, depois da sucessão, e o novo líder pode ter inúmeros problemas, tais como: queda das vendas, aumento da inadimplência e dos processos trabalhistas. Essa transição pode ser viabilizada de duas formas: pela doação em vida ou pela morte do empresário. Na eventualidade da empresa ter mais de um sócio controlador, o outro pode decidir se aceita o herdeiro como sócio. Caso isso não ocorra, terá que ser efetuada a compra da parte do herdeiro. Não é fácil um empreendimento sobreviver no mercado e na atual conjuntura econômica brasileira, principalmente, para as pequenas e médias empresas. As dificuldades de sempre (falta de capital, baixa lucratividade, concorrência predatória, carga tributária e burocracia elevada), associada ao processo de sucessão familiar, se destacam entre os fatos que determinam a sobrevivência ou a mortalidade das empresas.

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