EDITORIAL » O corte no orçamento e o voto impresso

Publicação: 01/04/2017 03:00

E por falar em corte orçamentário, convém lembrar que nas eleições de 2018 o voto será impresso. A lembrança se faz necessária não porque haja um nexo direto entre as duas coisas, e sim como exemplo de que toda mudanças tem seu custo. A implantação do modelo de impressão do voto custará cerca de R$ 1,8 bilhão, segundo estimativa do TSE (Tribunal Superior Eleitoral). Dinheiro necessário principalmente para adquirir equipamentos de impressão e cobrir despesas de custeio das eleições. Não é um valor pequeno — é até superior ou equivalente ao corte que terão alguns ministérios para 2017, segundo as medidas de redução de despesas anunciadas pelo governo federal. O corte a ser aplicado no orçamento de todos os ministérios, em conjunto, será de R$ 20,1 bilhões.

A votação em 2018 será eletrônica, como as anteriores; a diferença é que desta vez haverá a impressão de um boletim para que o voto seja conferido. Funciona assim: o eleitor escolhe o seu candidato e vota nele na urna eletrônica. Ao fazer isso, uma impressora acoplada à urna mostrará no visor o candidato em quem ele está votando. O eleitor confere se o voto na urna eletrônica é o mesmo que aparece na impressora, e só aí dá o “confirma”. Depois disso o papel com o voto impresso cai em outra urna. Em nenhum momento o eleitor pega no papel.

Os defensores do modelo dizem que sua implantação torna possível auditar e conferir o resultado, fazendo a recontagem de votos se houver suspeita de fraude. Sem isso, dizem eles, não tem como conferir o resultado e fica-se completamente à marcê da urna eletrônica. O projeto foi aprovado em 2015. Na época o TSE recomendou à presidente Dilma Rousseff que o vetasse, e ela o fez. Mas em novembro daquele ano 368 deputados e 56 senadores derrubaram o veto no Congresso.

Quanto ao corte orçamentário, economistas entrevistados pela imprensa lembraram argumentos que costumam ser levantados em medidas semelhantes: os investimentos públicos serão reduzidos, o que significa menos dinheiro do governo na economia do país e consequentemente mais aperto. Outros ressalvaram que no médio e longo prazo a medida resgatará a confiança dos empresários, que poderão investir mais, coisa que não estão fazendo agora na proporção necessária a uma retomada de crescimento.

A cada mudança, suas consequências. Submergido numa crise que atinge todos os setores, e que tem sido particularmente cruel com os trabalhadores, o país observa tudo com o ceticismo de quem sabe que o fim das dificuldades não está próximo.

Os comentários abaixo não representam a opinião do jornal Diario de Pernambuco; a responsabilidade é do autor da mensagem.