EDITORIAL » Para entender os homens

Publicação: 29/03/2017 03:00

Recife será o centro de estudos da América Latina a partir de domingo quando o assunto trata de homens e masculinidade. Em uma oportunidade única para o momento em que se discute questões de gênero e feminismo, a cidade sediará um dos maiores eventos internacionais sobre o papel do homem. Dezenas de pesquisadores renomados do Brasil e de países vizinhos estarão aqui para debater e pensar sobre a produção científica e cultural acerca do tema. A programação VI Colóquio Internacional de Estudos sobre Homens e Masculinidades é extensa e prevê lançamentos de livros, mesas redondas e apresentação de palestras e trabalhos de 02 a 5 de abril no Mar Hotel, situado no bairro de Boa Viagem. Colóquios semelhantes acontecem desde 1998 em âmbito internacional e reúnem, além de acadêmicos, gestores e ativistas. Em edições anteriores, deram-se no México, Colômbia, Uruguai e Chile.

Nem sempre o homem aparece como protagonista, mas o imenso leque de discussões proposto para o encontro mostra o quão esse debate está na rotina do cidadão e, ainda assim, é negligenciado na sociedade. Cita-se alguns temas para ilustrar um território pouco massificado e que pode se constituir um terreno fértil para reflexões pessoais e coletivas. Estarão em destaque, por exemplo, o abuso sexual cometido pelo homem contra crianças e adolescentes, a violência contra a mulher, a relação conjugal e a saúde masculina, homofobia no ambiente futebolístico e militar, a questão do alcoolismo, a presença do parceiro no pré-natal de mulheres grávidas, a falta do pai e a implicação desse distanciamento sobre a experiência educacional de crianças, homens que militam junto a outros homens contra a cultura do estupro. São apenas alguns entre tantos igualmente complexos.

O colóquio brasileiro tem a organização do Grupo de Estudos sobre Masculinidades da Universidade Federal de Pernambuco (Gema/UFPE), Instituto PAPAI, IFF/Fiocruz, Instituto Promundo e MenEngage Brasil. Para o Recife é algo a se comemorar porque daqui sairão as maiores diretrizes para a abordagem da condição do homem no futuro. Mobilizações parecidas são necessárias e urgentes.

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