O declínio do futebol no Brasil - Uma triste constatação

Francisco de Queiroz Bezerra Cavalcanti
Professor titular e diretor da Faculdade de Direito da UFPE

Publicação: 25/03/2017 03:00

Falar de futebol no Brasil, é falar de uma grande paixão. Sabe-se, entretanto que, mesmo grandes paixões podem ser destroçadas por ações, ou omissões do(a) amado(a). Caso se pretende manter essa paixão, necessário será verificar e solucionar muitos erros do amado: a) a concentração de patrocínio, absolutamente desigual, priorizando alguns poucos clubes, com cotas muitas vezes superior à de outros. Confronte-se, p.e. a abissal diferença entre o montante recebido pelo Santa Cruz, na 1ª divisão e pelo Flamengo-RJ, em 2016, diferentemente do que ocorre com a distribuição equitativa existente na Alemanha, ou Inglaterra o que cria o desinteresse pelas competições. b) outro enorme problema é a saturação de transmissões televisivas, chegando-se, ao ponto de se ter nas TVs até jogos da 2ª divisão italiana! c) Por outro lado, as torcidas vão desaparecendo (ao menos dos estádios), amedrontadas com a atuação das “gangs” organizadas. d) outro enorme problema, que surgiu como aparente “solução”, foi a chamada ”lei Pelé”. Os jogadores, desde muito jovens, ficam vinculados a “empresários” e-ou a “grupos de investidores” que passam a manipular e se beneficiar da vida desses profissionais da bola, em regime de “semi-escravidão”, sem muita liberdade de opção. Desestimula-se o investimento nas categorias de base. Tudo isso tem feito definhar o futebol interiorano, das cidades menores, concentrando o futebol profissional de alguma qualidade em poucos centros, cuja atuação, basicamente, é de formação de jogadores para a Europa e outras áreas mais ricas (espécie de “divisão de passagem”). Não se tem competitividade, não se tem paixão nacional (tenta-se criar times de torcidas nacionais, ex.: Corintians e Flamengo, prejudicando as formações locais e regionais). Junte-se a tudo isso, a não construção de campos de bairros ( algo barato nas periferias), diferentemente de países, como a Inglaterra, onde os “campinhos gramados” proliferam, por todo o país. Dúvida não tenho que: com tanta desigualdade, violência nos estádios, concentração de rendas, escravidão dos profissionais, ter-se-á poucas chances de não ver o brasileiro continuar a perder, paulatinamente, o interesse pelo futebol, o que é muito nítido entre os jovens. Alie-se a tudo isso, a perda de um estilo de jogo, que vem acontecendo no Brasil, na Argentina...os jogadores migram para além-mar muito cedo, e as táticas passam a ser as mesmas, os estilos se confundem, não há mais o estilo brasileiro, mais suave e artístico de um antigo Santos, nessa mesmice, fica melhor ver o Real Madrid e o Barcelona!

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