Empreender na crise de forma estratégica é possível?

Fábio Menezes
Consultor e sócio da TGI Consultoria em Gestão

Publicação: 21/03/2017 03:00

O empreendedorismo continua crescendo muito no Brasil, mesmo durante os anos de crise. Mas, infelizmente, mesmo com essa evolução, a maior parte das novas iniciativas não consegue se firmar de forma consistente. Afinal, o que fazer para começar bem um novo negócio com boas chances de sucesso?

Apesar da crise que aflige o país, aliás, também por “incentivo” dessa conjuntura, o empreendedorismo continua crescendo no Brasil. O alto número de desempregados nos últimos dois anos provocou muitas pessoas a empreender seus próprios negócios, em grande parte pela dificuldade de conseguir se recolocar no mercado – é o chamado empreendedorismo por necessidade.

No entanto, apesar do expressivo surgimento de novos empreendimentos, poucos conseguem se firmar de forma consistente. As causas mais comuns de insucesso são o pouco conhecimento do negócio e do segmento de atuação, a falta de planejamento e, sobretudo, o enquadramento pouco profissional e estratégico. Muitas vezes as pessoas escolhem uma área para empreender porque têm alguma simpatia e identificação pela atividade-fim, mas desconhecem questões básicas implicadas no funcionamento do negócio, como exigência de capital, modelo de trabalho, legislação aplicada ao segmento, entre outros. Portanto, é fundamental pesquisar o máximo possível sobre a área de atuação antes de decidir montar uma empresa.

É importante deixar claro, ainda, que não existe fórmula mágica para fazer um negócio dar certo nem tampouco um modelo-padrão que sirva para qualquer empreendimento. Entretanto, podemos considerar quatro fatores que, se desenvolvidos da forma adequada e adaptados a cada situação, podem ampliar e muito as chances de sucesso: (1) Análise do Mercado – estudo das regras de competição do setor, tendências e mudanças no segmento, inclusive observando a concorrência; (2) Projeto Empresarial – identidade, conceito estratégico do negócio e diferenciais pretendidos devem estar claros; definição dos serviços ou produtos, além do público-alvo e possíveis parceiros; (3) Planejamento Estratégico – definição de objetivos de médio e curto prazos, além da escolha certeira das prioridades para o primeiro ano da empresa; (4) Orçamento – projeção conservadora das receitas e despesas, disponibilidade de investimento e recursos exigidos para o giro do negócio.

Como tudo na vida, empreender é arriscado. Mesmo quando se consegue viabilizar o negócio e atingir os objetivos iniciais pretendidos, o sucesso conquistado não garante o êxito nos próximos anos. Logo, cuidar de forma estratégica do planejamento, da implantação e do acompanhamento do empreendimento é imperativo para quem pretende estar bem posicionado no futuro.

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