EDITORIAL » As reformas inadiáveis

Publicação: 20/03/2017 03:00

A população brasileira está atenta ao grave momento por que passa o país. Sabe que as investigações da Operação Lava-Jato precisam continuar e levar à punição daqueles que, comprovadamente, tenham cometidos os crimes e desvios éticos a eles imputados. Há motivos para indignação, protestos e perplexidade. Afinal, bilhões de reais foram desviados dos cofres públicos pelo megaesquema de corrupção, que, como mostra a Lava-Jato, tomou o Brasil de assalto nos últimos anos. O que se vê, porém, é que as instituições encarregadas de proteger a democracia e o Estado de Direito estão em pleno funcionamento. Apesar do envolvimento de empresários e políticos poderosos no caso, os culpados pelo maior escândalo de corrupção da história do país estão sendo investigados, julgados e, muitos deles, levados para trás das grades.

No entanto, mesmo diante desse quadro dramático, o país não pode parar. Mergulhado na mais grave recessão da sua história — pior do que a que se seguiu à quebra da Bolsa de Nova York, em 1929 —, com dois anos seguidos de PIB negativo e desemprego recorde de 13 milhões de trabalhadores, o Brasil enfim dá sinais, ainda que tímidos, de que pode sair do atoleiro. Para isso, urge que o Congresso Nacional continue a avançar na votação das reformas previdenciária e trabalhista, necessárias para a retomada do crescimento. Em dezembro, a aprovação da Proposta de Emenda à Constituição que impôs um teto aos gastos públicos sinalizou aos investidores o fim da farra irresponsável com o dinheiro que os brasileiros pagam de impostos.

Agora, mais do que nunca, a reforma trabalhista é urgente para que empresários voltem a investir e a criar empregos. A da Previdência, além de urgente, é imprescindível e inadiável para a garantia de que a atual e as próximas gerações receberão a aposentadoria no futuro. Os números divulgados esta semana pela União são assustadores: o deficit com pagamento de aposentadorias dos setores públicos e privados, com benefícios sociais e com saúde cresceu nada menos que 55,4% em 2016, na comparação com o ano anterior. Era de R$ 166,5 bilhões, em 2015, e pulou para R$ 258,7 bilhões no ano passado. Isso representa 56% das despesas primárias da União. Ou seja, se não houver uma mudança drástica, o rombo continuará a crescer e, em poucos anos, a Previdência se tornará insustentável.

Para levar a reforma adiante, o governo conta com ampla maioria na Câmara e no Senado. Mas enfrenta a oposição de movimentos sociais, sindicatos e corporações resistentes à mudança. São, em geral, as mesmas forças que se alinharam aos governos responsáveis por afundar o Brasil nesta crise sem precedentes. Boa parte, na verdade, já se mobiliza de olho nas próximas eleições. O desafio do Planalto é não sucumbir ao barulho. Ora, historicamente, a maioria os partidos que hoje forma a base aliada de Temer não conta com o voto dessas corporações. E a única chance que têm de sucesso numa próxima eleição é a possibilidade de serem bem-sucedidos na economia, com a retomada do crescimento e a volta dos 13 milhões de empregos que o país perdeu no rastro da herança maldita da recessão deixada pelos governos petistas.

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