A semana econômica

Alexandre Rands Barros
Economista, PhD pela Universidade de Illinois, presidente da Datamétrica e do Diario de Pernambuco

Publicação: 18/03/2017 03:00

A semana trouxe muitos resultados positivos na economia, como o aumento do emprego formal, quedas nas expectativas inflacionárias, sucesso do leilão dos aeroportos e melhoria da classificação de risco do país, segundo a agência Moody´s. Em Pernambuco juntou-se a essas informações a concessão do empréstimo do BNDES ao estado para ampliação de seus investimentos e conclusão de algumas obras. Apesar dessas boas novas, a semana também foi marcada por algumas notícias preocupantes, destacando-se: (i) o aumento da resistência à reforma da previdência, com algumas mobilizações espalhadas pelo país e (ii) a retirada do ICMS da base de cálculo da PIS/COFINS por definição do STF e possível necessidade de aumento de tributos para compensar a perda de arrecadação que tal mudança ocasiona. Cabe também destacar as primeiras informações sobre número de possíveis processados por decorrência da delação da Odebrecht, que também tem impacto econômico pelo seu efeito no risco da estabilidade politica.
Apesar das notícias confirmarem que a economia brasileira já aterrissou e deverá agora iniciar um processo lento de recuperação, pode se dizer que os aumentos da probabilidade de elevação da carga tributária e das perspectivas de que a reforma da previdência seja parcialmente atenuada no Congresso Nacional, deixou cada um de nós brasileiros mais pobres. Encerramos a semana com uma perspectiva de renda futura menor, sobretudo por causa das dificuldades de aprovação da reforma da previdência. Isso significa que cada um de nós está hoje mais pobre do que na semana passada, principalmente os mais jovens que são os verdadeiros derrotados na reforma da previdência, pois terão que pagar mais para ganhar menos quando se aposentarem. Além disso, o crescimento menor do PIB do país que decorrerá dessa atenuação também terá um impacto maior na renda deles.
A retirada do ICMS da base de cálculo do PIS e COFINS gera perdas de curto prazo por causa da necessidade de ajustes das regras tributárias, mas promove um ganho de longo prazo, decorrente da maior eficiência do nosso sistema tributário e com isso alavancará o crescimento econômico. Lógica semelhante aplica-se aos resultados da delação da Odebrecht. O efeito de desestabilização política de curto prazo será revertido no longo prazo pela melhoria do ambiente institucional do país que tal processo gerará. Apesar desses efeitos positivos de longo prazo, desses fatores negativamente impactantes, os riscos de redução da eficácia da reforma da previdência ainda são relativamente mais importantes, e por tal deverão trazer consequências negativas maiores para a renda de longo prazo dos brasileiros. Por isso, apesar desse impacto positivo das mudanças tributárias e faxina ética, o efeito total da semana certamente será negativo. A esperança, então é que a reforma da previdência seja aprovada como está e com isso as más notícias tenham impacto positivo de longo prazo e tenhamos terminado a semana um pouco mais ricos.

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