EDITORIAL » Até onde irá o 'não calarei'

Publicação: 15/03/2017 03:00

Está muito além da retórica de minoria. O direito da mulher virou assunto popular.  É objeto de cobrança coletiva e, não à toa, tem sido amplificado nas redes sociais da internet de forma cada dia mais recorrente e contundente. As manifestações para questões de gênero já não podem ser mais consideradas reivindicações de poucos ativistas por parte de legisladores e gestores, sob pena de eles serem engolidos pelo debate social mais contemporâneo e consistente desta década.

Tira-se a relevância do tema pelos resultados da nova pesquisa do Ibope e Organização das Nações Unidas (ONU) Mulheres, divulgada ontem. Segundo o estudo, três em cada quatro brasileiros (75%) afirmam ser de “grande ou extrema importância” que prefeitos, vereadores, deputados, governadores, secretários desenvolvam políticas de promoção da igualdade entre mulheres e homens. Não se trata de uma opinião da ala feminina. A balança está quase paritária: se forem consideradas apenas as mulheres, 78% pensam assim, que a matéria é urgente; se forem considerados homens, o percentual fica em 71% dos brasileiros.

Na prática, a grande maioria da população - ou eleitores - deseja ver a mulher sendo tratada como prioridade em áreas específicas. Espera, por exemplo, mais acesso ao mercado de trabalho e equiparação de salários com aqueles oferecidos aos homens com funções semelhantes. Da mesma maneira, que se abram novas oportunidades de acesso e desenvolvimento na educação e na cultura. Se há essa expectativa, certamente se cobrará ação em consonância.

O coro pelas questões de gênero vem se consolidando, ganhando força e novos defensores. As mulheres, elas próprias, estão nas ocupações recentes das escolas, grandes movimentos de rua realizados em todo o Brasil e em intervenções feitas de forma individualizada, onde cada uma promove pequenas revoluções dentro de seu ambiente de trabalho (elas ocupam metade da força de trabalho do país) ou círculos de amizade e familiar.

As mulheres decidiram que não calarão mais. Ou são ouvidas ou o eco do grito delas chegará mais alto nas urnas na próxima eleição.

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