O Brasil em recuperação

Alexandre Rands Barros
Economista, PhD pela Universidade de Illinois, presidente da Datamétrica e do Diario de Pernambuco

Publicação: 11/03/2017 03:00

O IBGE divulgou essa semana dados do PIB para o último trimestre de 2016. Desde o primeiro trimestre de 2015, a queda em relação ao mesmo período do ano anterior não tinha sido tão baixa, apesar de ainda assim ser bastante elevada (2,46%). Além disso, a participação do investimento no PIB caiu para patamares jamais vistos desde 1996, desde quando existem estatísticas trimestrais para essas variáveis. Ou seja, os números ainda mostram uma situação difícil de nossa economia. Apesar disso, houve uma elevação do otimismo quanto à recuperação ao longo da semana. Vários outros indicadores levaram à melhoria do humor: (i) o IPCA de fevereiro voltou a mostrar tendência de queda, após dois meses de elevação; (ii) a produção industrial voltou a crescer em janeiro; (iii) a inadimplência de crédito em janeiro, apesar de não ter caído, mostra que está com tendência de queda no médio prazo; (iv) o endividamento das famílias continua sua tendência descendente e (v) o comprometimento de renda das famílias com o serviço da dí
vida com o Sistema Financeiro Nacional também continua caindo. Ou seja, indicadores importantes mostram que a economia aterrissou e que agora poderá começar a decolar.

Diante de tal situação, a grande questão hoje é qual será o ritmo desse reaquecimento? A maior parte dos economistas de mercado acredita que ele será lento. Somente em 2018 teremos crescimento mais elevado e mesmo assim moderado, dadas as dificuldades de crescimento da economia brasileira atualmente por causa dos desajustes estruturais. Esse sem dúvida é o cenário mais provável, apesar do otimismo demonstrado pelo ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, que sugeriu que o crescimento do PIB poderia chegar ao final do ano de 2017 a taxas anualizadas de 3,2%; algo elevado para o país nas últimas décadas.

Obviamente vários fatores contribuirão para o desempenho futuro. A aprovação das reformas propostas, principalmente a regulamentação da terceirização, a reforma trabalhista e a previdenciária são as mudanças mais importantes já no Congresso Nacional que têm a chancela do Governo Temer. Se além delas, o governo federal conseguir promover alguma reforma tributária relevante, mesmo que parcial, provavelmente a velha propensão ao otimismo dos agentes brasileiros, como já identificada pelo saudoso Rudiger Dornbusch, deverá aflorar com vigor e será possível crescimento acelerado ainda na segunda metade desse ano, talvez a taxas até superiores às previstas pelo ministro Meirelles. Porém, se a reforma da Previdência for muito desfigurada por intervenção do Congresso, e/ou houver valorização cambial excessiva, essas expectativas poderão ser frustradas e as previsões do Ministro terão sido otimistas.

Entretanto, se o governo aprovar as reformas e conseguir controlar a valorização cambial que esse processo deverá gerar, a probabilidade de crescimento acelerado ainda em 2017 torna-se elevada. Ou seja, a economia está entregando de bandeja uma grande oportunidade para nós brasileiros iniciarmos uma nova fase de crescimento econômico rápido e começarmos uma escalada de alívio do sofrimento imposto a nossa população nos últimos anos. Para isso, basta os políticos fazerem sua parte, que é aprovar as reformas propostas e ajudar o governo no controle da valorização cambial.

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