Recife e Olinda: fundação das cidades e suas histórias

Giovanni Mastroianni
Advogado, administrador e jornalista

Publicação: 11/03/2017 03:00

Neste 12 de março, Recife e Olinda completam, respectivamente, 480 e 482 anos de fundação. Embora não seja precisa essa data com relação a Olinda, sabe-se, todavia, que o povoado prosperou tanto que, em 1537, já estava elevado à categoria de vila, tanto assim que o militar português Duarte Coelho Pereira, donatário da Capitania de Pernambuco, remeteu ao rei de Portugal o competente foral carta de direitos feudais -, outorgando a Vila de Olinda.  Renomado administrador colonial, o beneficiário Duarte Coelho envidou todos os esforços para que a capitania olindense se desenvolvesse, fundando, em Pernambuco, o primeiro engenho de açúcar e estimulando a agricultura, paralelamente com outros benefícios em prol do enriquecimento da cidade, entre os quais o palácio episcopal, prédio que mandara construir para funcionamento do então Senado da Câmara, doado, em 1676, ano em que Olinda foi elevada à categoria de cidade, ao bispado olindense e transformado em palácio arquiepiscopal, enquanto a Câmara foi transferida para outro local. Em face de modificações arquitetônicas, ocorridas no palácio, com a adaptação de outros prédios, surgiu, então, em 1972, o Museu de Arte Sacra de Olinda, que hoje abriga a rica arte religiosa de Pernambuco e desenvolve importante programação cultural com palestras, cursos e exposições sacras, integradas de destacados exemplares de arte popular e, também, peças da rica arte religiosa do estado, doadas, principalmente, pela Arquidiocese de Olinda e Recife. Relata a história que Olinda após ser dominada pelos holandeses, em 1630, foi incendiada e, somente em 1654, mais uma vez sob a dominação portuguesa retornou à condição de sede oficial do governo, apesar dos governadores residirem no Recife. No início do século XIX, graças à fundação do Seminário Diocesano e, em 1828, do curso jurídico, Olinda converteu-se em uma pequena cidade de estudantes, chegando a rivalizar, em certos aspectos, com a metrópole portuguesa, em ostentação arquitetônica. Coube ao sargento-mor Bernardo Vieira de Melo, no Senado da Câmara, em 1710, dar o primeiro grito de independência no país. Como advogado, não posso deixar de registrar, segundo relato do jurista Clóvis Bevilaqua, que os primeiros cursos jurídicos, criados por Decreto do Imperador, em 11 de agosto de 1827, foram oficialmente instalados, em 15 de maio de 1928, no Mosteiro de São Bento, em Olinda, dois meses depois de São Paulo, antes de sua transferência para o Recife. Esta capital aparece pela primeira vez no foral da Câmara de Olinda, outorgado em 12 de março de 1537 pelo donatário Duarte Coelho. Quanto à capital pernambucana, sua história começa em 1534, também com as capitanias hereditárias, quando seu porto era utilizado para transportar sua produção local, primordialmente, a cana-de-açúcar, e receber os mais variados gêneros  dos principais centros mercantis. Como é sobejamente sabido, seu nome é derivado da extensão de arrecifes existentes no litoral. No foral, consta como “arrecife dos navios” Afirma-se  que, seduzidos pela cana-de-açúcar, os holandeses chegaram, em 1630, ao Brasil e invadiram Pernambuco, conquistando Olinda e Recife. Esta cidade. durante cerca de 24 anos, ficou sob o domínio da Companhia Holandesa das Índias Ocidentais, tendo como administrador o conde Maurício de Nassau, com o título de governador-geral. Entre suas realizações, merecem destaque haver estabelecido uma situação de boas relações dos holandeses com latifundiários e comerciantes brasileiros; melhorado o sistema de produção de açúcar no Nordeste: diminuído os tributos dos senhores de engenho do estado; modernizado urbanisticamente Recife com a construção de canais, palácios e pontes, uma das quais, hoje, tem a denominação de Maurício de Nassau; um dos motivos pelos quais Recife passou a ser mais conhecida como a Veneza Brasileira, melhorado os serviços públicos e criando museus e jardins botânico e zoológico. Necessitando retornar à Holanda, não tiveram seus substitutos a mesma capacidade de governar, descontentando aos luso-brasileiros, que, revoltados, empreenderam movimentos para expulsar os invasores. O primeiro cotejo da insurreição pernambucana foi a batalha do Monte das Tabocas, de 1645, em Vitória de Santo Antão, seguindo-se a batalha dos Guararapes, travada em dois confrontos entre o exército da Holanda e os defensores do império português, em 1648 e 1649.Após a vitória luso-brasileira, Recife, então surge como a cidade mais importante de Pernambuco, mercê de sua vocação comercial e graças à influência dos mascates, como eram denominados os comerciantes lusos. Comenta-se que só a partir desses acontecimentos históricos Recife passou a ser mais conhecido como a Veneza Brasileira.

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