EDITORIAL » Mortandade na infância

Publicação: 11/03/2017 03:00

Os governantes mundiais não podem fechar os olhos para a mortandade infantil que decorre da poluição ambiental em todo o planeta. Somente com o compromisso dos detentores do poder político no combate à degradação do meio ambiente, em todos os continentes, as mortes poderão ser contidas. Anualmente, 1,7 milhão de crianças até 5 anos de idade morrem devido à contaminação do ar e da água, que causa pneumonia e diarreia — um verdadeiro flagelo nas regiões mais pobres da Terra. Deste total, 570 mil vão a óbito por infecções respiratórias e 360 mil, devido à diarreia pela falta de acesso à água limpa, à falta de saneamento e de higiene.

Levantamentos da Organização Mundial de Saúde (OMS) mostram que a morte de meninos e meninas, na mais tenra idade, se deve à poluição do ar interior e exterior e o fumo passivo, que colabora para a disseminação da pneumonia, que voltou a acometer parte expressiva da população global. Iniciativas contra a degradação ambiental, como as aprovadas pelo Acordo de Paris — 197 países signatários se comprometeram a limitar a 2ºC o crescimento do aquecimento global até 20110, por meio de medidas concretas de combate à poluição ambiental —, não podem ficar apenas no papel.

O aumento das temperaturas e dos níveis de dióxido de carbono na atmosfera contribuem, significativamente, para o crescimento das doenças respiratórias. Quando grandes nações questionam os estudos científicos sobre o impacto da emissão de gases de efeito estufa e dos poluentes, elas colocam em xeque a possibilidade de vida saudável no planeta. As ameaças estão relacionadas aos sistemas de produção que desconsideram os impactos do uso de tecnologias que aumentam os danos aos recursos naturais, essenciais à vida.

Especialistas do organismo internacional de saúde entendem que a alta taxa de mortalidade infantil cairá quando os governantes, realmente, priorizarem o acesso à água potável e aos combustíveis limpos. Hoje, milhares de crianças são criadas em locais com alto teor de impureza no ar, devido à utilização de combustíveis inadequados, como carvão e esterco, tanto na cozinha quanto no aquecimento do ambiente. Essas crianças são mais suscetíveis a doenças, como pneumonia e diarreia. Ante a precaridade dos serviços públicos de saúde, elas, precocemente, vão a óbito.

O certo é que um ambiente poluído é mortal para as crianças mais novas. A OMS insiste que somente com a prevalência de políticas preservacionistas e de descontaminação sobre interesses meramente econômicos, o número de mortes de crianças causados pela degradação ambiental poderá ser revertido. Portanto, o engajamento das autoridades na batalha contra a poluição é de primordial importância para a reversão dessa dolorosa estatística, que se revela uma ameça severa à vida no planeta e, especialmente, à continuidade da espécie humana.

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