Juros em queda, ciclo econômico e empreendedorismo

Luiz Alberto Esteves
Economista-chefe do Banco do Nordeste

Publicação: 10/03/2017 03:00

Pouco antes do final do ano, o Conselho Monetário Nacional anunciou a decisão de reduzir os juros das operações de crédito envolvendo recursos do Fundo Constitucional de Financiamento do Nordeste (FNE). A medida vigora desde o dia 1º de janeiro de 2017. O Banco Central, dez dias depois, anunciou o terceiro corte consecutivo da taxa básica de juros, a Selic.

A maioria dos economistas acredita que o país encontra-se em momento de transição, deixando a fase de recessão e ingressando em fase de recuperação lenta. As recentes reduções das taxas de juros buscam, entre outras coisas, acelerar esse processo. A estratégia é de que juros menores estimulem investimentos em atividades produtivas e empreendedoras.

Estudos recentes têm relacionado ciclos de empreendedorismo com ciclos econômicos. Os resultados sugerem que rápido crescimento da atividade empreendedora precede fase de recuperação, assim como redução do empreendedorismo precede desaceleração econômica. Se corretos, esses estudos indicam aumento da atividade empreendedora ao longo de 2017.

Um motivo é o empreendedorismo por necessidade: pessoas que perderam seus empregos durante a crise buscam no empreendedorismo uma forma de inserção econômica. Cabe destacar também que excelentes oportunidades de negócios surgem nas crises. O início da recuperação é uma oportunidade para um empreendedor ingressar no mercado, oferecendo um produto inovador e desafiando assim os produtos das empresas já estabelecidas.

Cabe ressaltar, entretanto, que o empreendedor deve estar atento. Prospectar mercados, desenhar estratégias, planejar o projeto de negócio...

Habilidade para identificar bons negócios pode render muitos lucros, desde que se esteja preparado para aproveitar as oportunidades que surgirão. A atual conjuntura parece favorável para iniciar essa preparação.

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