EDITORIAL » Luta contra a febre amarela

Publicação: 10/03/2017 03:00

As causas do surto de febre amarela silvestre, que já provocou mais de 100 mortes em Minas Gerais e 20 no Espírito Santo — em São Paulo também há casos de óbitos confirmados — exige, firme acompanhamento das autoridades e devem ser investigadas com profundidade pela comunidade científica brasileira. O grande temor dos especialistas é de que esteja em curso uma adaptação ao meio urbano dos mosquitos Haemagogus e Sabethes, transmissores da febre amarela silvestre a seres humanos, e a ação do Aedes aegypti como vertor da doença nas cidades, o que ainda não foi confirmado, mas pode representar grande risco de aumento da letalidade da doença. O Aedes aegypti também transmite a dengue, o zika vírus e a chikungunya.

Desde 1942 não foi registrado qualquer caso de febre amarela urbana no Brasil, mas o avanço atual da enfermidade assusta os sanitaristas e já é considerado, pelo Ministério da Saúde, como o pior surto da história. Ainda não há indicativos de febre amarela urbana. As autoridades precisam se certificar se os mosquitos estão se adaptando ao ambiente urbano, para que as medidas de prevenção e combate sejam intensificadas. A população não deve entrar em pânico, mas tem de ser alertada para os perigos que a doença representa.

Unidade da federação com número recorde de óbitos, Minas Gerais tem outros 77 casos sob investigação. Há, no estado, 1.076 casos suspeitos da enfermidade em 48 municípios atingidos. O Espírito Santo também foi incluído na lista da Organização Mundial da Saúde (OMS) como área de risco. A instituição recomenda que todos os viajantes internacionais se vacinem contra a doença antes de visitarem localidades no estado dos capixabas, devido à velocidade da propagação do surto.

As autoridades sanitárias dos dois entes federativos reconhecem que o governo federal vem suprindo de maneira satisfatória a necessidade de liberação de vacinas contra a febre amarela. A vacinação em massa da população das áreas de risco está sendo feita adequadamente. O Ministério da Saúde distribuiu, recentemente, 14,6 milhões de doses extras para cinco estados: Minas Gerais (6,5 milhões), São Paulo (3,2 milhões), Espírito Santo (2,6 milhões), Rio de Janeiro (1 milhão) e Bahia (900 mil).

Além da mobilização dos agentes públicos de saúde, é de fundamental importância no combate ao surto de febre amarela, a disseminação de informações detalhadas sobre a doença. Só assim, todos os casos suspeitos poderão ser notificados e investigados pelas autoridades. Somente com o engajamento de todos, a batalha contra a febre amarela terá êxito.

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