O que é uma mulher empoderada?

Leandra Lawlesse
Vencedora do concurso promovido pelo Consulado Geral dos EUA

Publicação: 08/03/2017 03:00

Ao longo da história, a mulher sempre assumiu um papel secundário na sociedade. Muitas alcunhas foram dadas a ela, como “sexo frágil” e “rainha do lar”. Muitas atribuições lhe foram conferidas como “ideais”: boa dona de casa, submissa, recatada, compreensiva, mãe cuidadosa.

Podemos pensar que isso foi há muito tempo e que, hoje em dia, não acontece mais. Entretanto, basta olharmos com um pouco mais de atenção, para percebermos que o papel da mulher na sociedade atual continua sendo secundário, apesar das muitas conquistas que já foram obtidas.  

Em uma campanha de grandes proporções, a ONU criou um conjunto de medidas a serem adotadas por todos os países: as WEPs, que na Língua Inglesa, são as iniciais das palavras “Princípios de Empoderamento das Mulheres”. Esses princípios visam garantir a igualdade de gênero em todos os setores: econômico, político, social e cultural. Essas medidas governamentais, embora deficientes, são tentativas válidas. Entretanto, existe uma forma de empoderamento que nenhum governo ou instituição pode dá-las, e que é o mais  real, libertador e transformador  de todos os poderes:  aquele que vem de dentro, que é uma conquista pessoal de cada uma. Esse empoderamento consiste em tomar a vida nas próprias mãos e assumir a beleza de ser quem é.

Uma mulher empoderada não se restringe aos padrões que a sociedade impõe. Se quiser ser caminhoneira, diplomata, artista, ou o que quer seja, vai à luta: trabalha, estuda, abre seus próprios caminhos. Mas se quiser ser dona de casa, também está tudo certo – a escolha é dela.

Os padrões de beleza não escravizam uma mulher empoderada pois ela já compreendeu que sua beleza vem de seu posicionamento diante da vida.

No Dia Internacional da Mulher, por exemplo, comemora-se a luta de operárias que disseram não às condições desumanas de trabalho a que estavam sendo submetidas. E o que dizer de  Simone de Beauvoir que, no início do século XX, ousou dizer que “ninguém nasce mulher: torna-se mulher”? Ou ainda de Rosa Parks que, sendo negra, recusou-se a dar seu assento no ônibus a um homem branco nos Estados Unidos (o que a levou a ser presa)? E de Cora Coralina que, mesmo proibida de escrever pelo marido, criou uma obra literária impressionante? Esses são apenas alguns exemplos, dentre tantos outros, de mulheres que se empoderaram e abriram caminho para que milhões de outras mulheres também o fizessem.

Uma mulher empoderada é aquela que se liberta das fôrmas sociais e que ousa ser aquilo que quiser. Que se vê e se coloca diante da sociedade como um sujeito histórico que tem voz ativa. É uma mulher que se reconhece como um ser humano em contínuo trabalho de transformação e que, ao transformar-se, transforma o mundo.

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