A Capital dos Jornalistas

Valéria Barbalho
Escritora

Publicação: 08/03/2017 03:00

Ao ver o presidente Donald Trump achincalhar os jornalistas do seu país, lembrei-me de meu pai, Nelson Barbalho, que, ao contrário, enaltecia os jornalistas do seu País de Caruaru. Resolvi, então, compartilhar parte de um texto dele sobre esse assunto.

Foi na coluna “Nelseana” do Jornal Vanguarda, de Caruaru, há 32 anos, que ele registrou essa sua admiração. O artigo é longo, mas aqui segue um resumo. “Quando comecei a colaborar na imprensa caruaruense, em 1949, a turma que fazia jornal era da pesada”. Daí cita alguns nomes: Azael Leitão, crítico e comentarista de primeira categoria; Henrique de Figueiredo, um mestre em ironia, um estilista nato, um jornalista que poderia ter brilhado em qualquer grande capital do país; Mario Medeiros, que redigia a seção Setas e Flechas; Manuel Maria de Araújo, outro mestre, homem que, sozinho, seria capaz de fazer um jornal inteiro; Mário Limeira Alves, poeta e filósofo, autor da série de artigos sócio analíticos: A Falência da Cristandade; Waldemar Cavalcanti, cronista de alto gabarito; Mário Fonseca, o célebre Mário Boquinha, articulista sério e oportuno, perene defensor do catolicismo; Lycio Neves, poeta de alta sensibilidade e bom articulista; Antônio Miranda, o nosso Mário Melo, ou seja, comentarista de tudo quanto ia acontecendo pelos quatro cantos da cidade; Aluísio Falcão, jornalista de inteligência rara, excelente cronista; Fernando Florêncio, analista impiedoso da vida política de Caruaru, homem de coragem fora do comum; Ròmulo Larena, o humorista da imprensa local, sujeito sem papas na língua, grande comprador de brigas e grande destruidor de deuses de pés de barro; Luiz Pessoa da Silva, poeta sacro e cronista defensor dos bons costumes; Ribamar Ramos, um idealista de inteligência fora de série, o grande diretor da revista Ganga; José Humberto, cronista movimentado e oportuno, um dos cabeças da revista Aru; Odílio de Andrade, poeta e vernaculista, cronista de estilo leve e agradável; Celso Rodrigues, dirigente e redator da Revista do Agreste, a maior e melhor revista de todo o interior pernambucano, na época; Luiz Torres, sem dúvida alguma o mais movimentado repórter da cidade, em todos os tempos; Júlia Tabosa uma das mais inteligentes colaboradoras da imprensa caruaruense; José Rogoberto de Barros, comentarista sutil, político e oportuno; Romildo Queiroga, jornalista de pena suave e humana; José Carlos Florêncio, diretor e redator da Vanguarda, sem dúvida alguma o mais perseverante semanário de Caruaru; Jeová França, poeta e um dos incentivadores da vida literária local; Edvaldo Barros, o querido Pimpa, um grande memorialista; Francisco Pinto, folclorista e memorialista; Francisco de Assis Claudino, grande crítico literário; Pe. Zacarias Tavares, diretor e redator de A Defesa; e muitos outro “cobras” cujos nomes não me recordo neste momento, pois estou escrevendo estas notas de memória e esta falha mais do que o velho motor da luz elétrica de Caruaru nos tempos do Cel. João Guilherme”

No final, ele revela: “Foi assim, no meio desses monstros sagrados que tive o atrevimento de também passar a colaborar com os jornais e revistas locais” Pelo visto, não é de hoje que os que fazem a imprensa caruaruense são competentes e engajados. E são tantos, que a Capital do Agreste também poderia ser apelidada de a Capital dos Jornalistas.

Os comentários abaixo não representam a opinião do jornal Diario de Pernambuco; a responsabilidade é do autor da mensagem.