EDITORIAL » Quando a paranoia tem razão de ser

Publicação: 08/03/2017 03:00

Só porque você é paranoico, não significa que eles não estão atrás de você.  A frase famosa, do escritor Joseph Heller em seu romance Ardil-22, fez sentido ontem quando o site de vazamento de documentos Wikileaks divulgou papeis confidenciais que supostamente demonstram como a CIA hackeia telefones e outros equipamentos eletrônicos no mundo.

De acordo com o Wikileaks, o programa secreto de espionagem da CIA desenvolveu um método que permite invadir aparelhos como o Iphone da Apple, o Android do Google, o Windows da Microsoft e televisores Smart da marca Samsung - estes, quando desligados, podem transformar-se em microfones ocultos. O arsenal norte-americano de hackeamento também torna possível quebrar a criptografia das mensagens de aplicativos como o WhatsApp, Signal e Telegram, e coletar mensagens e áudios deles.

A denúncia baseia-se na revelação de 8.761 documentos e arquivos, que teriam sido repassados ao Wikileaks por uma fonte não revelada. Outra informação constante nos vazamentos é que desde 2014 a agência investe em ferramentas que poderiam tomar o controle de carros e caminhões.

O Wikileaks diz que que no Centro de Ciber Inteligência da CIA, a divisão de hackers da agência, havia mais de 5 mil usuários registrados no ano passado. “Tamanha é a escala do empreendimento da CIA que em 2016 seus hackers usaram mais códigos do que o utilizado para fazer o Facebook funcionar”, afirma o site.

A autentiticidade do material revelado não foi confirmada. Em comunicado oficial, o porta-voz da CIA afirmou que a agência “não comentará sobre a autenticidade e o conteúdo dos supostos documentos de inteligência”.   De acordo com notícia do jornal Estado de S. Paulo, “especialistas que analisaram o material disseram que as informações pareciam legítimas e que a divulgação poderá abalar o serviço de inteligência dos Estados Unidos”.

O Wikileaks é comandado pelo ativista australiano Julian Assange, que em junho de 2012 refugiou-se na embaixada do Equador, em Londres, e está lá até hoje. Buscou refúgio para não ser extraditado para a Suécia, onde é acusado de um crime sexual que ele nega. O temor de Assange é que a Suécia o entregue aos EUA - onde ele é investigado por ter divulgado documentos secretos do governo americano, em 2010.

Parece enredo de livro, filme ou série sobre espionagem, mas são fatos do noticiário do dia. A frase de Joseph Heller, em um livro publicado originalmente em 1961, está mais atual do que nunca.

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