No trânsito: o meu direito e o seu

Miguel Gustavo de Freitas *

Publicação: 06/03/2017 03:00

Morei por mais de uma década em São Paulo, tendo retornado para Recife há cerca de um ano e meio. Tudo em São Paulo é superlativo e o trânsito não é diferente. Neste período na terra da garoa eu me tornei uma pessoa muito mais serena ao volante.

Aprendi que num engarrafamento gigantesco o uso da buzina é absolutamente inócuo e que não faz a menor diferença deixar o carro da faixa ao lado entrar na sua frente, especialmente se ele está dando seta ou sinalizando com a mão. Idem para o carro que está saindo de uma rua, de um prédio, de um estabelecimento comercial.

A fiscalização da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) paulistana é constante e sair fora da linha é multa na certa. Com isso aprendi (na marra) e agora me policio o tempo todo a não parar sobre faixa de pedestres ou fechar cruzamentos. Entendi que estes dois pequenos comportamentos demonstram gentileza para com os outros motoristas e pedestres. Hoje dirijo sempre procurando não atrapalhar (e quando der, facilitar) a vida de outras pessoas com quem divido as ruas.

Porém, tem certas coisas que ainda me geram grande indignação e impaciência: gente autocentrada! Pessoas que se vêm no centro do universo. É o indivíduo que não tem o menor respeito pelo tempo das outras pessoas e que acredita que o seu direito é mais importante que o dos outros. É o motorista malandro, esperto. É aquele sujeito que ultrapassa pelo acostamento, ou que para o carro prendendo o de outra pessoa porque “foi ali rapidinho”. É aquela pessoa que fecha o cruzamento quando poderia ter aguardado haver espaço do outro lado da via. São as pessoas que ligam o pisca-alerta (achando que com isso a regulamentação de trânsito fica suspensa), e atrapalham a circulação dos outros veículos, parado em local proibido.

E tem também o pai ou mãe que para o carro na frente da escola e, neste momento, resolve conversar os assuntos que deveriam ter sido falados no caminho, deixando uma fila de carros atrás esperando a sua boa vontade. As crianças aprendem pelo exemplo. Assim como nas situações anteriores, esta pessoa está sinalizando para os seus filhos que o tempo deles é mais importante que o das outras pessoas e que eles podem livremente atrapalhar a vida de quem quer que seja porque estão “no seu direito”.

É difícil ter tolerância com esse tipo de gente. A minha é ZERO.

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