EDITORIAL » Trânsito desafina no carnaval

Publicação: 02/03/2017 03:00

A maior festa popular do país não decepcionou os foliões. De sexta a terça-feira, os brasileiros puderam cantar e brincar no carnaval, que se mostrou o mais eclético dos últimos tempos. Os blocos arrastaram milhões no Distrito Federal, nas capitais do Nordeste, no Rio de Janeiro, em Belo Horizontes e em São Paulo. Contemplaram os mais diversos públicos e de diferentes faixas etárias. Hoje, as secretarias de Segurança Pública da maioria das unidades da Federação devem divulgar um balanço sobre os episódios lamentáveis que anteciparam fim da festa para muitos carnavalescos.
Dois acidentes com carros alegóricos na Marquês de Sapucaí (RJ), palco do desfile das escolas de samba, deixaram mais de 30 pessoas feridas, uma delas em estado grave na Unidade de Terapia Intensiva (UTI). As ocorrências foram a nota negativa do maior espetáculo carioca. Mostrou que a grandiosidade das alegorias exigem normas de segurança mais rigorosas. A fiscalização não pode ser atribuição apenas dos dirigentes e carnavalescos.
Com o passar dos anos, os carros ganharam dimensões maiores a fim de acomodar novas tecnologias, equipamentos sofisticados que dão movimento aos adereços, além de transportarem grande número de componentes das agremiações. O poder público tem de se fazer presente. A atuação do Corpo Bombeiros se mostrou insuficiente para resguardar a integridade física dos participantes e dos espectadores dos desfiles. Essa demanda ganhou destaque após o acidente, mas só isso não basta. É fundamental normatizar e fazer prevalecer os itens de segurança. O Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (Inmetro) tem por obrigação liderar esse movimento
A alegria do brasileiro também foi contaminada pela irresponsabilidade e a imprudência nas rodovias federais. O balanço preliminar da Polícia Rodoviária Federal revelou que, entre as noites dos dias 24 e 27, 106 morreram vítimas de acidentes de trânsito em todo o país. Um aumento de 30% na comparação com o mesmo período do ano passado, quando ocorreram 81 mortes. Ultrapassagens proibidas e excesso de velocidade foram causa de 30% dos óbitos. Os agentes flagraram 6.989 condutores fazendo ultrapassagens proibidas. Centenas de outros motoristas ignoraram a regra “se beber não dirija”. Para esses, a despedida da folia também foi mais cedo.
As autoridades precisam, a cada ano, melhorar os esquemas de proteção aos foliões e aos que chegam ao país para participar da folia. É preciso acabar com esse negócio de turista se guiar por GPS e ser morto por entrar em área proibida, devido ao crime organizado. Mancham a imagem do Brasil os incidentes que afetam a vida das pessoas, sejam elas brasileiras, sejam visitantes. Não é demais lembrar que o carnaval vai além de uma festa popular. Ele cria oportunidades de emprego, movimenta o comércio, a indústria e setor de serviços, com impactos positivos na economia nacional.

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