Galo gigante, um símbolo do carnaval

Carlos Eduardo Cadoca
Deputado federal e ex-secretário de Turismo do Recife e de Pernambuco (1993- 2002)

Publicação: 25/02/2017 03:00

O carnaval de 1995 deixou um marco no Recife. Nada que passe despercebido ou que o recifense não reconheça. Também não poderia ser diferente. O galo gigante, com seus 28 metros de altura, surgiu há 22 anos, como homenagem da Secretaria de Turismo da Prefeitura do Recife, na gestão Jarbas Vasconcelos, ao Galo da Madrugada. Mas, cá entre nós, os bastidores dessa história merecem ser contados porque têm uma boa dose de ousadia, um pouco de loucura e muita correria.

O Galo da Madrugada tinha entrado para o Guinness Book, Livro dos Recordes, como o maior bloco do mundo. Por que, então, não criar um galo gigante do tamanho do bloco? E que tal colocá-lo no Rio Capibaribe?

Parecia mirabolante demais, doidice demais, mas tocamos o projeto. O galo gigante, então, foi anunciado como novidade da decoração da cidade daquele ano. A alegoria deu um charme especial a um projeto maior, iniciado em 1994, quando reestruturamos o desenho do carnaval da cidade, dando o toque da profissionalização que faltava.

Introduzimos um amplo planejamento que contemplava várias frentes: decoração e iluminação, infraestrutura, som de qualidade, palco, captação de recursos, a inserção do Bairro do Recife no contexto da festa e a transformação da Avenida Guararapes em um grande salão e na apoteose do desfile.

A ideia inicial era produzir a cabeça do galo em papel machê, mas não deu certo. A chuva logo atrapalhou. Partimos para fazer o galo com estrutura metálica. Eis que surge um novo problema: o peso. O fato é que redobramos os esforços no ato da instalação, mas foi necessário virar a noite trabalhando e só às 9h do sábado, dia do desfile, concluímos a montagem da alegoria.

Estava lançado o primeiro galo gigante. Ele não ficou tão bonito por conta dos imprevistos, mas surgia, naquele momento, um lindo símbolo do carnaval do Recife. Em 1996, o galo é transferido do rio para a Ponte Duarte Coelho. Onde está até hoje.

Já havíamos feito uma enorme confusão em 1994 quando fechamos a ponte pela primeira vez para montagem da estação da folia. Imaginou a confusão? Foi bem grande, mas o encanto das pessoas pelo Galo da Madrugada, pelo carnaval e pela nossa cultura é tão grande que, felizmente, deu tudo certo.

Hoje, revivendo essa história, e estando o galo gigante em meio a uma polêmica, tenho a certeza de que as diferenças serão superadas. O Galo, assim como o carnaval, é majestoso e muito amado.

Vamos brincar em paz. Viva o Galo! Viva o carnaval!

Os comentários abaixo não representam a opinião do jornal Diario de Pernambuco; a responsabilidade é do autor da mensagem.