A renda em Pernambuco em 2016

Alexandre Rands Barros
Economista, PhD pela Universidade de Illinois, EUA

Publicação: 25/02/2017 03:00

O IBGE divulgou essa semana dados da PNAD contínua para o último trimestre de 2016. Com isso os dados para o ano passado podem ser consolidados. Eles confirmam o que se já se alegava com base em outras informações já disponíveis. A crise econômica que assola o Brasil é mais séria aqui em Pernambuco do que no resto do país e maior no Nordeste do que no Brasil, apesar de a média de desempenho na região ser melhor do que em Pernambuco. O rendimento médio real de todos os trabalhos, efetivamente recebido por mês, pelas pessoas de 14 anos ou mais de idade em Pernambuco em 2016 caiu 3,45% em relação ao observado em 2015. No Nordeste essa queda foi de apenas 1,48% e no Brasil como um todo foi de apenas 0,06%. Se compararmos essa mesma variável em 2016 com ela em 2012, a queda em Pernambuco foi de 14,8%, enquanto no Nordeste foi de apenas 3,30% e no Brasil houve uma pequena elevação de 0,27%. Observe-se que esses dados estão todos corrigidos para a inflação pelo IPCA. A queda da massa total de rendimentos em Pernambuco, na comparação entre 2016 e 2015 veio principalmente da taxa de ocupação da mão de obra, apesar de ter sido maior do que a verificada no Nordeste e no Brasil também no rendimento médio individual.

Em um estado cuja participação dos investimentos na geração de renda total encontrava-se muito elevada, é normal que essa queda de rendimento tenha sido mais séria em momento em que a crise econômica atinge principalmente os investimentos. Os dados explicam também o grande esforço do governo do estado para não permitir que as contas públicas entrassem em colapso como ocorreu no Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e Minas Gerais. Em situação de encolhimento de renda como esse, é normal que haja redução de impostos recolhidos. A rigidez dos gastos públicos dificulta o equilíbrio fiscal.

A boa notícia é que a tendência de queda da proporção da renda total do trabalho em Pernambuco, quando comparada a essa mesma variável no Brasil e no Nordeste, deixou de cair. Ao longo de 2016 houve estabilidade dessa proporção, com uma ligeira melhora, o que levou os patamares dela no quarto trimestre de 2016 a serem superiores ao que se encontrava no quarto trimestre de 2015. Ou seja, ao longo de 2016 não houve mais piora relativa de Pernambuco em relação ao Nordeste e ao Brasil. Ou seja, a economia de Pernambuco já não tem mais o seu componente de decadência específico a definir sua dinâmica. Se a economia brasileira então voltar a crescer já em 2017, Pernambuco deve responder da mesma forma.

Entretanto, esses dados também nos fazem lembrar que é preciso o governo do estado assumir uma postura mais desenvolvimentista, tentando dinamizar a economia estadual. Ele não pode se entregar à crise e passar apenas a administrá-la. Há muitas medidas a serem tomadas que podem fomentar a produção e a renda e com isso atenuar a crise no estado, fazendo que não tenhamos níveis de encolhimento tão superiores ao resto do país e mesmo do que a nossa região. Algumas dessas medidas podem ser levadas adiante sem comprometer o orçamento público. Na verdade elas podem até ajudar a elevar a arrecadação. Seriam medidas em que o papel coordenador do estado seja enfatizado, inclusive promovendo ações que venham a mitigar risco de agentes privados. Há muito que pode ser feito para elevar o desempenho econômico sem onerar o orçamento do governo do estado. O governo tem que aumentar o foco nisso.

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