EDITORIAL » Folia combina com alegria, não com medo

Publicação: 25/02/2017 03:00

Embora a violência tenha se mostrado sempre a grande preocupação dos governos naqueles eventos que concentram grande número de pessoas em lugares públicos, não dá mostras de arrefecer com o passar dos anos, porque as causas continuam desafiadoras, ligadas às raízes dos problemas sociais. Neste ano, nota-se que atingiu proporções ainda mais severas, em função, sobretudo, dos desacertos do país em áreas importantes como a economia, a partir de índices que se agravaram com a mais recente crise. Significa dizer que é ilusão pensar no carnaval como uma festa cujo saldo não reflita estas dificuldades, do mesmo jeito que se mostra insensato imaginá-la acontecendo longe do olhar vigilante do poder público. O cidadão não está entregue à própria sorte porque as forças policiais não se encontram de braços cruzados e o aparelho de segurança, embora distante do funcionamento ideal, aos olhos da sociedade, continua produzindo respostas.

A exuberância do carnaval de Pernambuco, apesar de todos os problemas nesta área, nunca foi afetada significativamente pelo flagelo da violência, embora as estatísticas, pela natureza da festa, apontem para o aumento de ocorrências. Naturalmente, a partir de cenários assim, o que se espera é que foliões aproveitem os dias de folia sem esquecer normas básicas de segurança, pois cautela continua sendo a melhor forma de dificultar a ação de criminosos. Órgãos como o Ministério Público de Pernambuco lançaram-se à tarefa de divulgar um conjunto de condutas que podem fazer a diferença nesta hora e nenhuma exige além de um olhar mais demorado. Ele deve existir sobre coisas e situações para as quais habitualmente as pessoas não dão a devida atenção. Como qualquer “manual de sobrevivência”, este, também, sugere que a população não se exponha a riscos desnecessários.

Contra todas as previsões pessimistas de recrudescimento da violência neste carnaval, existe um folião com perfil para acreditar que brincar em paz é possível. Em edições passadas, o alardeado fantasma da criminalidade também pareceu ter força para diminuir o brilho da festa, mas o que venceu mesmo foi o espírito de alegria e irreverência, tão próprio dos pernambucanos. Esperamos que ele, mais uma vez, sobreviva e faça desta uma folia inesquecível, cheia de bons momentos e digna da imagem de respeito que o carnaval do estado tem aos olhos do país e em muitos lugares do mundo. Brinquemos com fé e com a descontração de sempre. Brinquemos pra valer.

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